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terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Copa é política, sim senhor

Os governos de países emergentes que realizam Copas do Mundo ou Olimpíadas buscam, no essencial, ganhos políticos internacionais e locais. Vale inteiramente para a Copa de 2014, cuja realização é hoje atribuída oficialmente ao Brasil.

Querem uma prova circunstancial? Se fosse um evento inteiramente esportivo, como dizem as autoridades que estão na sede da Fifa, em Zurique, o Brasil seria representado por Pelé, o rei do futebol. E não pelo presidente Lula, dois ministros e nada menos que 12 governadores, dois dos quais, Aécio Neves e José Serra, fazem da disputa pelo jogo inaugural da Copa uma prévia de sua disputa pela candidatura à presidência da república. E mesmo assessores de Lula comentam que a realização da Copa cairá em 2014, quando ele, Lula, poderá ser candidato a um terceiro mandato.

Repito, não é coisa brasileira.

A China, que realiza a Olimpíada no ano que vem tem claramente o propósito de obter o reconhecimento mundial como a nova potência econômica. Está gastando um dinheiro monumental não apenas em estádios, mas em tudo que impressione o visitante estrangeiro e o leve a concluir que ali está um novo grande país.

A África do Sul, que realiza a Copa do Mundo de 2010, tem igualmente o propósito de se mostrar como a liderança da nova África, potência emergente.

Pode-se dizer que o objetivo é nacional, de modo que se trata de boa política internacional, suprapartidária. Mas há uma confusão aí. A coisa interessa a todo o país ou ao conjunto dos partidos e das lideranças políticas que obtêm algum ganho com os jogos?

O argumento do interesse nacional se baseia nas obras que os jogos deixam: estádios, certamente, mas também metrôs, trens, aeroportos, sistemas de telecomunicações, algumas estradas, remodelação de áreas urbanas e por aí vai.

Mas, se tudo isso é efetivamente necessário e adequado ao país, poderia ser feito sem a Copa ou sem as Olimpíadas, não é mesmo?

Continua em Blog do Sardenberg

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