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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O governo e o PIB que ele faz

Ivan Siqueira

(Para compreender melhor esse post, leia antes os posts nº 33 e 34)

Eu me lembro de uma manchete de jornal nos anos 80, que falava de um trágico acidente: “Mãe se descuida e filha afoga-se na piscina”. Aconteceu, de fato, porque a criança apenas engatinhava, e a mãe estava sentada em uma cadeira ao lado da piscina lendo uma revista enquanto tomava sol. A criança, atrás da mãe, engatinhando, caiu na piscina sem fazer qualquer barulho. Um acontecimento terrível e doloroso.

Quando podemos deixar o PIB engatinhando, por si só? Nunca. O PIB será sempre o resultado de dois fatores, do que acontece com ele, e do que desejamos que aconteça com ele. Quem gera o PIB? Ou melhor, quem é o dono do PIB? O PIB tem cinco donos: consumidores, investidores, governo, exportadores e importadores. Cada um é dono da parte que gera, mas existe um sério problema, é que cada um gera também as partes do outro! Mas, pior do que isso, é que cada um rouba partes do outro também! Chupa essa manga!

Nos posts nº 33 e 34, comentei sobre o setor governo gerando PIB em um modelo onde tanto gastos do governo(G), quanto tributos(T) eram variáveis exógenas. Agora, quero trabalhar em um outro modelo onde os gastos do governo continuam autônomos, mas os tributos são induzidos pela renda. O que muda isso? Muda muito, é como se uma voz viesse do céu e nos avisasse: “Cuidado, alguns setores vão gastar, e o governo vai anular esses gastos com tributação ampliada, cuidado para o PIB não cair na piscina!” Na rua, as fábricas trabalhando, empresas investindo, exportadores exportando, o governo dando uma de santinho, diz, “nós tributamos e gastamos com educação, saúde, etc, fazemos a nossa parte!”, na rua uma porção de gente correndo de um lado para o outro, e indagando: “gente, por que esse PIB não cresce?”

Continua em Economeditando

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