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terça-feira, 30 de outubro de 2007

O petróleo e a careca de Bernanke

Relatórios de três bancos norte-americanos afirmam que as recentes sanções dos Estados Unidos ao Irã poderão elevar os preços do petróleo para perto de 100 dólares o barril. Dito assim, parece simples, mas a ruptura desse importante "nível psicológico" nos preços dos óleo terá consequências muito graves sobre a economia global.

Por que? Simples. No Brasil, o petróleo é usado basicamente para movimentar parte da frota automotiva - que, cada vez mais, está mudando da gasolina para o álcool. Nas maiores economias do mundos - Estados Unidos, União Européia e Japão - o petróleo quer dizer basicamente energia elétrica para iluminar e aquecer as cidades no inverno. Não dá para ficar sem petróleo, pois não dá para ficar sem energia. Ou seja, com um preço de 100 dólares por barril, essas economias iriam ficar mais pobres. Teriam de gastar mais dinheiro com petróleo e sobraria menos para consumir e investir.

No longo prazo, uma elevação persistente nos preços do petróleo indicaria uma economia global em retrocesso, com reflexos ruins para os mercados globais.

No curto prazo, o petróleo em alta poderia pressionar a inflação, obrigando os bancos centrais a elevar os juros para conter os preços. Ruim para os mercados globais. Ou seja, o temor de uma alta do petróleo poderia levar Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (o banco central americano) a não conceder a esperada queda de 0,25 ponto percentual nos juros, destinada a aliviar a pressão sobre o combalido sistema financeiro americano. Se a brilhante cabeça de Bernanke decidir não reduzir os juros, turbulência à vista. Portanto, todos de olho no Fed.


Blog do Investidor


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