Já era de se esperar que a decisão extremada de Evo Morales de aprovar num quartel, sem a participação da oposição, a nova Carta Magna boliviana ia dar nos conflitos que está dando.
Morales, quando assumiu, tinha o firme propósito de seguir o modelo chavista de "refundação" do país. (No Equador, Rafael Correa foi também bem sucedido na tarefa.) Só que a Bolívia é um país com características bastante diferentes da Venezuela.
1 - A Venezuela tem muito - mas muito mesmo - petróleo. Por mais que a Bolívia tenha gás, o que ela ganha é muito menos. (No caso da Venezuela, mesmo com a abundância do petróleo, seu governo já começa a enfrentar mais problemas com a oposição).
2 - A Bolívia é um país bem mais divido que a Venezuela, cujo poder está concentrado em Caracas. Na Bolívia, os departamentos (estados) mais ricos não são a sede do poder, que fica ainda em La Paz. Com isso, o poder acaba ficando dividido.
3 - O partido de Morales não conseguiu maioria suficiente (2/3) na Assembléia para votá-la a seu modo; diferentemente de Chávez.
4 - A Bolívia é um país bem mais pobre, com demandas urgentes e maiores da população.
Os próximos dias deverão ser ainda mais difíceis, não apenas na Bolívia dividida, como também na Venezuela, onde Chávez está lidando com rachas profundos na sua base de apoio.

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