Depois de uma semana entrecortada por feriados aqui e nos Estados Unidos, o mercado acionário brasileiro retoma o ritmo de olho em uma série de indicadores importantes dos EUA que prometem balançar o mercado até sexta-feira, quando a estréia dos papéis da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) deve fechar a semana com chave de ouro.
A confiança do consumidor americano de novembro sai amanhã e já deve azedar os ânimos com uma queda razoável, avalia Eduardo Kondo, analista chefe da corretora Concórdia. O índice deve recuar para 91,2, ante 95,5 em outubro. Na quarta, além do livro bege, com seu raio-X da economia, saem novos números de vendas de casas usadas e, na quinta, de casas novas, que podem colocar mais lenha na fogueira do receio com a recessão americana. Ainda na quinta, o mercado conhecerá a prévia do PIB americano do terceiro trimestre, que deve subir 4,9%, o que pode dar um alento ao mercado, afirma Kondo. "A semana deve começar ruim e melhorar no final", diz ele. Na sexta-feira, porém, há números importantes: o deflator do PIB dos EUA (PCE na sigla em inglês) de outubro, indicador de inflação preferido pelo Fed, o banco central americano, e os gastos de consumo pessoal de outubro.
O mercado vai seguir volátil, de olho nos EUA, diz Pedro Galdi, analista da corretora do Banco Real. Na quinta-feira, o presidente do Fed, Ben Bernanke, faz uma palestra à noite e pode dar novos sustos nos investidores. E mais bancos internacionais podem mostrar prejuízos com as hipotecas de alto risco "subprime". As vendas do fim de semana, o primeiro da temporada de fim de ano, também devem vir ruins.
Apesar disso, Galdi acha que a Bovespa vai ter uma recuperação no médio prazo. Mas os papéis de maior peso no Ibovespa - como Petrobras, Vale do Rio Doce e Gerdau - devem seguir concentrando as atenções e ditando o rumo do índice, que já caiu no mês 6,66%, para 60.970 pontos. A queda reflete as fortes vendas de estrangeiros. Até dia 21, o saldo dos estrangeiros era negativo no mês em R$ 5,1 bilhões, o maior da história, elevando o déficit no ano para R$ 7,197 bilhões. Só no dia 21, o saldo foi negativo em R$ 1,890 bilhão. "Eles podem estar saindo desses papéis para comprar as ofertas iniciais, ou então estão esperando para ver como fica a economia dos EUA", diz Galdi.
Palpite Ações

Nenhum comentário:
Postar um comentário