Nos jornais de hoje, farto noticiário sobre as contas externas e as contas do governo federal. Nos dois casos, olhando os grandes números, há um equilíbrio básico e alguns problemas.
Nas contas externas, o ponto mais importante agora é verificar que as reservas do Banco Central, o caixa, hoje acima dos US$ 180 bilhões, está quase empatando com a dívida externa total, em torno de US$ 195 bilhões. Antes do final do ano, vai ficar no zero a zero – e isso quer dizer que a dívida externa, eterno problema da economia brasileiro, simplesmente desaparece. O país passa a ser credor em dólares.
Isso resulta da forte entrada de dólares na economia nacional, principalmente pelo superávit do comércio externo e, depois, pelos Investimentos Externos Diretos (IED). E depois vêm as aplicações em bolsa e no mercado de títulos públicos.
A contrapartida disso é o dólar baratinho – que pressiona diversas indústrias brasileiras, na medida em que barateia o importado e encarece as exportações brasileiras. Mas a importação, no conjunto, exige mais competitividade e produtividade da economia nacional. E é boa para o consumidor.
No caso das contas públicas, do governo federal, a coisa vai bem, do ponto de vista do governo. As receitas crescem fortemente, permitindo pagar as despesas de pessoal, previdência, programas sociais e funcionamento da máquina e mais uma parte da conta de juros.
Qual o problema? É que, nadando em dinheiro, o governo Lula jogou fora as preocupações com o controle das despesas – um tema da era Palocci – e mandou bala. Todas as despesas crescem acima da inflação e acima do crescimento da economia. Ou seja, aumenta o peso do Estado na economia, tomando dinheiro do setor privado. E programou despesas maiores ainda para 2008, supondo que bonança, local e internacional, é para sempre.
E nunca é. Ou seja, o governo está comprando risco futuro. Como se vê, economia é complicada, uma no cravo outra na ferradura.

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