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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Análise Semanal

Essa semana tivemos apenas 4 dias de negócios. Tanto aqui no Brasil, com o feriado da cidade de São Paulo na sexta-feira 25/01, como nos EUA, com o feriado de Martin Lutter King na segunda dia 21/01. Mas o destaque da semana, não foi o fato de termos menos dias de pregão. O interessante, foi o movimento de recuperação das bolsas mundiais, diante das recentes quedas. Apesar de ainda não apresentar números expressivos de alta, a sangria deu uma pausa. O Ibov fechou praticamente estável -0,08% e o Dow subiu 0,89%.

Resultados contraditórios

Durante a semana pipocaram diversos números sobre a saúde das empresas americanas. Os dez grandes bancos norte-americanos mais afetados pela crise do mercado de crédito subprime já perderam US$ 353 bilhões em valor de mercado desde o final de agosto até a última sexta-feira. Para se ter uma idéia, isso equivale a quase 40% de todo o valor de mercado das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a mais de seis Bradescos. Somente o Citigroup perdeu US$ 111 bilhões em valor de mercado, o que equivale a um recuo de 48% sobre o valor que a instituição tinha no final de agosto do ano passado. O banco valia na última sexta-feira US$ 121 bilhões, ante US$ 233 bilhões antes do começo da crise.analise2

Por outro lado, empresas não financeiras, deixam ainda a esperança de que tudo não passa de apenas um susto. A Johnson & Johnson´s (J & J) alegrou o mercado financeiro americano, ao anunciar resultado melhor do que o esperado no quarto trimestre de 2007. A maior fabricante mundial de produtos de cuidado com a saúde fechou os três meses com ganho líquido de US$ 2,4 bilhões (US$ 0,82 por ação), 9,5% acima dos US$ 2,2 bilhões (US$ 0,74 por ação) apurados em igual intervalo de 2006.

Outro exemplo foi a AT&T. A empresa americana de telecomunicações, lucrou US$ 3,1 bilhões nos três últimos meses de 2007 em uma base líquida, o equivalente a US$ 0,51 diluído por ação. O montante ficou em mais de 60% acima daquele somado em mesmo período de um ano antes, de US$ 1,9 bilhão, ou US$ 0,5 por papel. As receitas quase dobraram - saíram de US$ 15,9 bilhões para US$ 30,3 bilhões.

Segundo a Bloomberg, 28 das 39 empresas não-financeiras do S&P500 que anunciaram resultados até agora tiveram lucros bem acima das expectativas.

A surpresa

Apenas esses resultados positivos porém, seriam insuficientes para acalmar os mercados. Na terça feira, entrou em ação o "Capital Nascimento" (ops !) americano, Sr. Ben Bernanke.
Apesar da decisão do Fed não ter sido unânime, o corte de 75 pontos básicos para 3,5% ao ano, representa uma tentativa de proteger a economia da desaceleração do setor imobiliário e da turbulência no mercado financeiro. Segue a tradução da declaração feita após o anúncio do corte:
"O Comitê tomou essa ação em virtude da deterioração da perspectiva econômica e dos riscos mais elevados para o crescimento. Apesar dos problemas nos mercados de financiamento terem diminuido no curto prazo, as condições mais amplas do mercado financeiro continuaram se deteriorando e o crédito ficou mais enxuto para alguns empresários e mutuários. Além disso, dados futuros indicam um agravamento da contração do mercado imobiliário, bem como nos mercados de trabalho", divulgou a instituição em comunicado.
"O Comitê espera que a inflação modere nos próximos trimestres, mas será necessário continuar monitorando os acontecimentos da inflação cuidadosamente",
acrescentou o texto. "Riscos para o crescimento persistem. O Comitê continuará avaliando os efeitos dos acontecimentos nas perspectivas econômicas e vai agir se necessário para combater esses riscos", completou o Fed.

Apesar da reação imediata nos mercados mundiais, a sensação de muitos economistas era de que essa decisão inesperada do Fed, na verdade, refletia que a crise era mais séria do que se imaginava.

O pacoteanalise3

A calma seria apenas sacramentada com o anúncio do pacote de estímulo econômico acordado entre o governo e congressistas americanos. Pelo pacote, o governo americano distribuirá cheques aos contribuintes, a título de restituição de impostos, e incentivará a compra de equipamentos por parte das empresas. A idéia é beneficiar mais de 110 mil famílias com renda anual de até US$ 187 mil. O contribuinte individual fará jus a US$ 600 e casais poderão receber US$ 1,2 mil, além de US$ 300 para cada filho.
Os investidores se animaram com a perspectiva de que essa injeção de dinheiro na economia possa reaquecer o consumo e ajudar as famílias em dificuldades a pagar dívidas.

George Soros, nos trazendo de volta a realidade

Sem dúvida a semana nos trouxe perspectivas mais positivas para a crise. Mas em recente artigo, o mega investidor George Soros, alerta que "em vista do encarecimento do petróleo, dos alimentos e de outras commodities, e da valorização mais rápida do yuan, o Fed também precisa preocupar-se com a inflação. Se os juros forem cortados para abaixo de certo ponto, o dólar ficará sujeito a renovadas pressões e os bônus de longo prazo passariam a proporcionar um rendimento mais alto. É impossível determinar qual seria esse ponto, mas quando for atingido, a capacidade de o Fed estimular a economia terá chegado ao fim."

Conclusão: otimismo sim, mas sem euforia.
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Veja apresentação em vídeo em CHR Investor

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