Ontem o Copom se reuniu sob forte tensão internacional, em virtude das turbulências nas bolsas de valores, e de uma ameaça de recessão nos EUA.
Sem surpresas, o Copom não diminuiu a taxa Selic, que está em 11,25%.
Quando falo sem surpresas, é porque o histórico de decisões que afetam a taxa básica de juros no Brasil sempre mirou a meta de inflação, nunca o possível quadro de recessão, ou mesmo a dívida pública brasileira.
Vamos comparar a decisão do FED com a do Banco Central do Brasil.
O mercado americano vislumbra uma recessão para os próximos anos. Seria resultado de uma política creditícia irresponsável com fatores cíclicos.
Pois bem, o FED agiu rápido, baixando sua taxa de juros em 0,75%, e me parece que deve baixar ainda mais. A preocupação maior é com uma recessão.
Aqui a decisão foi a de manutenção da altíssima taxa de 11,25%, sem o menor sinal de recessão, até porque não vivemos uma.
Pode-se argumentar: a inflação aqui preocupa. Mas nos EUA também.
A inflação aqui em 2007 foi de 4,46%, e nos EUA foi de 4,1%. No caso deles, isso significa o dobro dos países ricos.
Claro que eles estão preocupados com a inflação, mas o tom da decisão é outro. Sabe-se que a inflação deverá ser freada pela própria atividade econômica, que anda baixa por lá.
Aqui no Brasil, por sua vez, a crise preocupa porque o dólar tende a subir com a saída de recursos, dificultando o controle da inflação. Mas, a inflação aqui está muito concentrada em alimentos, que infelizmente é uma tendência para os próximos anos, com a entrada de uma parte substancial da população nas classes B e C. Além disso, os alimentos estão sofrendo uma pressão de demanda no mundo todo. Não vai ser com taxa Selic que vai se controlar isso.
Mas a decisão não é fácil. Acredito que o melhor que teriam a fazer era realmente a manuetenção da taxa, com viés de baixa, para que em uma emergência no mercado de capitais, o Banco Central pudesse ter uma certa folga para manobra.

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