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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Hoje tem Copom.

Nenhuma novidade (por enquanto)

Como acontece a cada 45 dias, hoje tem Copom. Esta quarta-feira será o segundo dia da reunião do Comitê de Política Monetária, o Federal Reserve brasileiro. Os especialistas do Banco Central vão se reunir à tarde em Brasília para definir as taxas de juros referenciais da economia. Os prognósticos do mercado são simples: nada vai acontecer. Até a pintura "Descobrimento do Brasil" de Portinari, que enfeitava a sala de reuniões do oitavo andar do prédio do BC e está em restauração, sabe que os juros referenciais deverão permanecer a 11,25% ao ano. Essa é a crença geral do mercado financeiro. Até aí, nada de mais.

Nada mesmo?

Vamos consultar as sagradas escrituras, a boa e velha teoria econômica. Lembra da inflação? Pois é, inflação é quando os preços sobem descontroladamente. Ela pode ocorrer por duas causas:

- inflação de demanda, quando há muito dinheiro na economia. Os salários sobem, a quantidade de produtos não acompanha e os preços aumentam aceleradamente.

- inflação de custos, quando os preços de algum fator essencial (como petróleo, eletricidade, minério de ferro, salários) sobem inesperadamente, e contaminam todos os outros preços da economia.

No caso brasileiro, a principal preocupação dos economistas é com uma pressão de aumento de salários. A economia está aquecida, o desemprego diminuiu, há escassez de profissionais capacitados de nível médio em algumas áreas, e é possível (embora ainda não seja provável) que 2008 seja um ano marcado por fortes pressões de aumento salarial. Os sindicatos vão querer oferecer a seus filiados boas campanhas, e mesmo quem não é sindicalizado vai começar a procurar salários melhores. Tudo isso pode colocar um pouco mais de pressão na inflação.

Sempre é bom lembrar que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve para o Copom balizar suas taxas de juros, fechou 2007 dentro da meta por pouco, muito pouco. Os preços dos alimentos estão subindo depressa e isso pode pressionar mais os preços daqui para a frente.

Portanto, embora quase 100% do mercado esteja convencido de que os juros deverão permanecer estáveis ao longo do ano, um ou outro cético começa a trabalhar com a hipótese de uma leve alta mais para o segundo semestre. Que, sempre é bom lembrar, será o período de uma acalorada eleição municipal, com a oposição fazendo de tudo para ganhar terreno de olho em 2010.

Ou seja, quando o "Descobrimento do Brasil" de Portinari voltar de sua restauração, é bem capaz que ele ouça acaloradas discussões no oitavo andar do Banco Central.

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