... Rumores de um PACOTE para socorrer seguradoras de bônus, atingidas por perdas do mercado hipotecário subprime, nos EUA, somaram-se à aposta de que o FED voltará a cortar o JURO norte-americano na próxima semana (em 50 pontos-base, segundo a maioria dos PRIMARY DEALERS), e as duas coisas juntas protagonizaram a espetacular VIRADA das bolsas em NY na última hora do pregão. Puxados pelas ações do setor financeiro, os índices fecharam em ALTAS expressivas, recuperando as fortes perdas do intraday. A oscilação foi de deixar tonto, quase 600 pontos no DOW Jones.
... Muita gente aqui já tinha ido embora para casa antes da virada, de moral baixa com o dia difícil (mais um), e vai gostar de saber que, HOJE, a bússola da VOLATILIDADE aponta para cima. Mas é um dia complicado para estratégia, esta quinta-feira, quando os investidores domésticos devem se posicionar para o feriado de amanhã em São Paulo, com WALL STREET em chamas. Alguma cautela pode prevalecer no final dos negócios.
... Já hoje à noite, NY espera para depois do fechamento o balanço da MICROSOFT, que deve vir com lucro líquido de US$ 0,46 por ação no quarto trimestre, e da SUN MICROSYSTEMS, com previsão de ganho de US$ 0,30 por papel... Antes da abertura, o destaque vai para a FORD, que deve reportar prejuízo de US$ 0,20. Amanhã, sexta-feira, saem os números da CATERPILLAR (US$ 1,50) e ainda da HONEYWELL (US$ 0,91).
.. No AFTER HOURS, fez feio a EBAY, despencando 5%, com projeções decepcionantes de lucro e receita para o atual trimestre. Já as ações da QUALCOMM dispararam mais de 7%, com a previsão de lucro para este ano no topo das estimativas.
... Na agenda dos indicadores, podem influenciar as vendas de IMÓVEIS usados do mês de dezembro, às 13h, que devem mostrar recuo de 0,4% na margem. Mais cedo, às 11h30, o auxílio-desemprego tem previsão de alta de 19 mil pedidos na semana até 19/1. Também é dia de conferir os estoques de PETRÓLEO, às 13h30 (previsões abaixo).
... AQUI, embora o COPOM tenha correspondido plenamente às expectativas, mantendo inalterada a taxa SELIC, em 11,25% (placar unânime), o texto do STATEMENT trouxe uma pequena mudança que pode movimentar as apostas hoje (abaixo)... Daqui a pouco, às 9h, sai o IPCA-15 de janeiro, para o qual pesquisa AE Projeções apurou previsões de 0,62% (piso) a 0,73% (teto), com a mediana em 0,67%. Também às 9h00, será divulgada pelo IBGE a taxa de DESEMPREGO (9h), que deve ficar em torno de 7,30%.
MEIRELLES. Em avaliação sobre a crise nos EUA, na reunião ministerial de ontem, disse que uma eventual recessão no país não deverá ter longa duração, segundo relato de participante à AE. Embora exibindo tranqüilidade sobre as condições do País contra essa crise, admitiu que o PIB brasileiro pode crescer menos que o previsto pelo BC (4,5%).
Primeiro sinal
... Pode parecer que não há nenhuma novidade na afirmação que você leu no statement do COPOM, que “irá acompanhar o cenário macroeconômico até sua próxima reunião para então definir os próximos passos na estratégia de política monetária”. Realmente, é isso que o Comitê faz, em todas as reuniões, acompanhar os indicadores para, então, decidir que rumo dar aos juros. Mas já deu para perceber que esse trechinho extra é, no mínimo, uma forma de preparar o mercado para uma mudança na trajetória da SELIC, para cima. E como todas as vezes que o comunicado recebeu novas expressões houve algum ajuste, não é difícil imaginar que hoje vai ter gente revendo as apostas.
... O economista-chefe do Banco WESTLB do Brasil, Roberto PADOVANI, acredita que a alteração no texto do comunicado abre espaço para uma eventual elevação futura na SELIC. Acha que o BC quis “dar um recado” ao mercado financeiro de que está bastante atento às atuais condições macroeconômicas. “Todos estavam esperando mais o conteúdo do comunicado do que a própria decisão do COPOM”, disse ao repórter Flávio Leonel (AE). Na mesma linha, o economista-chefe do Banco SCHAHIN, Silvio CAMPOS Neto, acha que o comunicado indica a possibilidade de mudança na estratégia da política monetária do Banco Central para os próximos encontros.
... Com esse recadinho deixado no statement, fica ainda maior a expectativa do mercado para a ATA da reunião, que sai na próxima quinta-feira. O documento deve deixar mais claro quais são as variáveis importantes a serem observadas daqui para frente. E, com certeza, muitas delas têm a ver com o cenário externo. A grande dúvida é saber qual será o principal efeito da crise internacional: a desaceleração do crescimento econômico e alívio da inflação, por causa do recuo dos preços das commodities, ou pressão inflacionária, em função da desvalorização cambial que o fluxo menor de recursos e a queda do superávit comercial podem provocar.
... O mercado de JUROS segue carregando prêmios gigantescos em toda a curva. Mas, como os contratos mais curtos não estão acompanhando tão de perto as oscilações no exterior, há chance de haver alguma correção para cima dessas taxas na abertura dos negócios. O DI janeiro de 2010 encerrou a 12,97% (de 12,91% na terça-feira). DI janeiro de 2012 avançou de 13,16% a 13,25%. E DI janeiro de 2009 ficou estável, em 11,97%.
... O DÓLAR voltou para cima de R$ 1,80, de olho no comportamento de Wall Street. No fechamento, subia 1,84%, a R$ 1,825. Mesmo com a piora da crise externa, o BC não abandonou a estratégia de reforçar as reservas internacionais, que crescem sem parar desde 26 de dezembro. Segundo anotou o jornalista Fernando Nakagawa, da AE, só na terça-feira, dia 22/1, o montante aumentou em US$ 1,315 bilhão, para US$ 186,4 bilhões. Mas o volume de compras diminuiu com a crise. O superintendente do Banco BANIF, Rodrigo TROTTA, estima que a compra diária média em janeiro foi de US$ 120 milhões, contra US$ 400 milhões ou US$ 500 milhões antes de o cenário externo piorar.
... Na BOVESPA, a conta continua negativa, com saída de R$ 544,597 milhões no dia 21, que elevou o déficit em janeiro para R$ 4,511 bilhões.
... A volatilidade continua sendo a tônica na BOVESPA, na esteira de NY. Ontem, a bolsa foi até a mínima de -5,5%. No fechamento, reduziu a perda para 3,32% (54.234 pontos). De novo, o estrangeiro atuou com força na venda. O giro financeiro foi de R$ 6,1 bilhões.
... PETROBRAS PN teve queda de 1,71% no fechamento, mas chegou a perder 5,8%. A redução da queda ajudou o IBOVESPA a sair das mínimas na reta final. PETRO ON caiu 1,82%. VALE PNA teve baixa de 6,10% e a ON, de 5,46%.
... No mercado da DÍVIDA, o Global-40 fechou na máxima a 134,50 cents, alta de 0,37%. Mas o risco Brasil subiu seis pontos-base, para 275 pontos-base no final da tarde.
Reality show
... Ninguém se ilude achando que só porque as bolsas em NY protagonizaram um rali de última hora não tem mais crise e os investidores resolveram dar um voto de confiança ao FED. Mas o que se lê é que, do jeito como andava vendido o mercado de ação, cedo ou tarde, nada mais natural que acabasse criando oportunidades de compra. É assim que continua tudo igual, com WALL STREET no choque da realidade, e a ameaça de RECESSÃO logo aí, à espreita. Mas, menos mal, o fechamento de ontem foi BONITO.
Continua em Bom Dia Mercado

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