Plus500

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Investimento direto e em bolsa: ‘contabilidade’ é separada

Pontos para entender as contas externas, cujos dados foram divulgados hoje pelo Banco Central:

1) Pelo padrão internacional, separam-se os investimentos estrangeiros em dois grandes grupos, o direto (IED) e as aplicações financeiras. São de natureza bem diversa. IED são investimentos em negócios da economia real: fábricas, lojas, prédios, uma empresa comercial, terras (fazendas de cana, por exemplo), minas, poços de petróleo, redes de telecomunicações e por aí vai. São investimentos com base em expectativas de desempenho econômico no médio e longo prazo, como é o caso de uma multinacional que traz dinheiro para novas fábricas de automóveis ou para plantas de produção de álcool. O grupo das aplicações financeiras inclui a compra de ações e de títulos de renda fixa, quase tudo do títulos do governo. Obviamente, tem a ver mais com o curto prazo. Pode-se vender uma ação hoje e comprá-la de volta amanhã. Este é o mercado que reflete os humores dos mercados internacionais, muito mais volátil. Assim, por exemplo, um fundo de investimentos pode vender ações da Petrobrás no mesmo momento em que companhias de petróleo estão trazendo dólares para aplicar na exploração de petróleo. Há diferenças no tempo e na oportunidade do investimento, mas no médio prazo as linhas são paralelas. Não há como a Bolsa ir bem se a economia real vai mal.

2) A dívida externa total, pública e privada, chegou no final do ano passado a US$ 197,6 bilhões. As reservas do Banco Central já somam US$ 186,5 bilhões – e como o BC continua comprando dólares, daqui a pouco as duas contas estarão empatadas. Ou seja, a dívida externa, fantasma que atormentou a economia brasileira por tanto tempo, estará matematicamente liquidada.

3) Por isso, aliás, não causa inquietação a volta dos déficits em conta-corrente (item que resume o conjunto das transações do país com o exterior, todas as entradas e saídas de dólares). Déficit em conta corrente significa que o país está gastando mais do que tem. Essa diferença precisa ser financiada, o que não será problema diante do tamanho das reservas e das exportações, uma espécie de seguro. No passado, o Brasil já chegou a ter déficit em conta corrente de US$ 35 bilhões, tendo reservas de trinta e exportação anual de 60 bilhões. Hoje, além das reservas, o país exporta 160 bilhões de dólares/ano, que é como ter uma boa capacidade de geração de caixa. Déficits de 10 bilhões não assustam ninguém.

4) Eis porque a economia brasileira passa melhor pela atual crise externa. O crédito internacional se reduziu – mas o Brasil não precisa de crédito e pode passar bom tempo sem ir ao mercado financeiro de Nova York.

Blog do Sardenberg

Nenhum comentário: