... Enquanto a BOVESPA fechava para o feriado de São Paulo, na sexta-feira, no resto do mundo investidores corrigiam às pressas suas posições para a reunião do FED amanhã e depois de amanhã (30).... Numa reversão de expectativas de última hora, depois de apostar em um novo corte pesado do juro americano, de 50 pontos-base, WALL STREET está agora esperando uma queda de 25 pontos-base, no máximo, ou NADA. Entre os contratos dos FED FUNDS, esta possibilidade foi reduzida de 76% para 44%. Em conseqüência, caíram as bolsas, o que deverá determinar um AJUSTE na abertura AQUI.
... Entre os motivos para essa virada em NY, o mercado citou a fraude de quase 5 bilhões de euros de um operador do banco SOCIÉTÉ GÉNÉRALE.. Segundo especulação, o fato pode ter induzido o FED a erro na convocação extraordinária que derrubou os juros nos EUA em 75 pontos-base, já que a má-fé de um trader, e não a crise do SUBPRIME, seria a melhor explicação para a histeria dos negócios na semana passada.
... “O FED entrou em pânico ao cortar os juros em 75 pontos-base. A ação sugere que os bancos centrais da França e o Europeu não contaram a eles (FED) o que
aconteceu com o SOCGEN”, disse ao Financial Times dirigente de hedge fund da CITY.
... Bom, não dá para saber se o FED sabia ou não da fraude, ou se o mercado continuará pensando da mesma forma ou mudará de novo de opinião até a quarta-feira, dia do veredicto do Comitê de BERNANKE. A única certeza é de que é a crise nos EUA, e não a má-fé de um trader, a variável capaz de desequilibrar o mundo financeiro.
... O calendário dos indicadores é repleto de perigos, nesta semana. Horas antes do FED, na quarta-feira, toda a atenção será para a primeira prévia do PIB americano do quarto trimestre, que pode confirmar as piores expectativas de que a economia dos EUA já está em RECESSÃO, se vier NEGATIVO, como parte dos analistas espera. Junto com o desempenho do PIB, sairá o índice de preços de gastos com consumo (PCE) acumulado no período. O mesmo dado, só que atualizado (dezembro) sai quinta-feira. Para encerrar, na sexta-feira, vem o Relatório de Emprego, com o PAYROLL de janeiro.
... HOJE, é importante acompanhar as vendas de IMÓVEIS NOVOS em dezembro (13h), com previsão de alta de 1,2%. O dia reserva ainda dois índices de atividade: de Dallas (janeiro), às 13h30, e do meio-oeste (dezembro), medido pelo FED de Chicago (15h). Na meia-noite de hoje, o presidente BUSH faz seu discurso anual do "Estado da União".
... Na rotina da crise, tem ainda BALANÇOS para acompanhar em NY. Atenção especial será dada aos índices de inadimplência das empresas de cartões de crédito, como a AMERICAN EXPRESS e a MASTERCARD, e aos números da financiadora de hipotecas COUNTRYWIDE FINANCIAL, que está sendo adquirida pelo BANK OF AMERICA. Também as empresas de tecnologia dominam a lista da semana: YAHOO! (terça-feira), AMAZON.COM (quarta-feira) e GOOGLE (quinta-feira). Hoje, antes da abertura, o MCDONALD´S apresenta seus números, com previsão de lucro de US$ 0,70 por ação.
... No BRASIL, a lista dos balanços inclui hoje o BRADESCO, que anuncia os resultados de 2007 antes da abertura dos negócios. Analistas projetam lucro de R$ 8 bilhões, crescimento de 58% sobre 2006.. Na agenda dos indicadores, o destaque é para a ATA do COPOM, na quinta-feira (31), depois que o BC alterou o comunicado, abrindo espaço para uma alta da SELIC (abaixo).. O calendário traz, ainda, índices de inflação, entre os quais, o mais importante é o IGP-M de janeiro, na quarta-feira.
Expectativa pela Ata
... O statement do COPOM afirmou que “irá acompanhar o cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para então definir os próximos passos na estratégia de política monetária”. Segundo anotaram os editores do Broadcast, a frase, que não apareceu nos comunicados das reuniões anteriores, já havia sido citada em julho de 2007, justamente a reunião que antecedeu a mudança de rota da política monetária. Até aquela reunião, no dia 18 de julho, o COPOM vinha reduzindo a SELIC em 0,50 ponto porcentual. Sinalizada a mudança, na reunião seguinte (setembro), o BC desacelerou o passo, reduzindo a taxa SELIC em 0,25 ponto porcentual, para interromper os cortes em outubro.
... Desta vez, o mercado espera que também a Ata seja mais clara sobre as variáveis que preocupam o COPOM e podem determinar os próximos passos. Além da inflação que resiste em recuar, espera-se que o BC dê espaço para a análise do cenário externo e os possíveis efeitos sobre a economia brasileira. A dúvida é saber se o BC espera desaceleração econômica, o que poderia até contribuir para conter um desequilíbrio entre oferta e demanda, ou se vê riscos desse ambiente afetar as contas externas e a inflação.
... Para Nuno CAMARA, do DRESDNER Kleinwort Waserstein, o tom da Ata deverá ser muito conservador. “Não ficaria surpreso se soubesse que alguns dos membros do COPOM cogitaram uma alta da taxa SELIC (na última reunião)”, disse ao jornalista João Caminoto (AE). “Embora sob controle, a inflação está num momento crucial, pois permanece elevada enquanto o gasto do consumidor continua forte”.. Ele acredita que as expectativas para a inflação podem se deteriorar com rapidez e “sem aviso prévio”.
... Já a pesquisa FOCUS da semana passada mostrou elevação significativa em todas as estimativas para índices de preços em 2008, e em boa parte das projeções para 2009. E, hoje (8h30), pode haver mais alguma correção nas previsões, sobretudo, porque, na semana passada, o IPCA-15 mostrou uma taxa de inflação ainda alta, de 0,70%. E o pior, com um índice de difusão elevadíssimo, de 67,2%, ante 62% no IPCA fechado de janeiro e 61,7% no IPCA-15 de dezembro.
... De todo modo, a discussão sobre os rumos da política monetária doméstica não teve impacto sobre os JUROS futuros na quinta-feira, quando a recuperação no mercado externo acabou abrindo espaço para que investidores, estrangeiros e locais, aplicassem nas altas taxas futuras. Mas, ao longo desta semana, a instabilidade lá fora poderá provocar muita oscilação nas taxas aqui... DI janeiro de 2010 encerrou à taxa de 12,74%, mínima do dia (12,97% na quarta-feira). DI janeiro de 2012 caiu de 13,25% para 12,99%.
... O presidente do BC, Henrique MEIRELLES, continua demonstrando publicamente que está tranquilo diante da crise externa, porque o País tem hoje condições muito mais confortáveis para enfrentá-la... Ele se refere às reservas fortes, câmbio flutuante, inflação na meta, dívida pública cadente e crescimento econômico liderado pela demanda doméstica. Para Meirelles, o Brasil está em condições de, ao mesmo tempo, olhar para o seu sistema financeiro e verificar que não está exposto à crise do subprime.
... Na BOVESPA, o investidor estrangeiro também apareceu para as compras, e garantiu uma recuperação expressiva do IBOVESPA, que fechou com alta de 5,95% para os 57.463 pontos, praticamente zerando as perdas da semana. Foi a maior alta em um único dia desde 2002. O giro financeiro foi de R$ 6,47 bilhões.
Continua em Bom Dia Mercado

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