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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Brasil e a crise nos EUA

Apesar das incógnitas, a sacudida financeira atual deveria servir de "alerta vermelho" para o Brasil resolver um dos últimos e maiores obstáculos para o crescimento sustentável: o escândalo de viver além das possibilidades, mesmo sugando em impostos 38% do que a sociedade produz.

Vale ressaltar que a turbulência dos mercados ainda não chegou à economia real (empresas, empregos e renda) e que há chance de ela causar estrago apenas moderado na economia global. Há inclusive dúvidas se os EUA entrarão ou não em recessão.

Nesse momento de incertezas, vale olhar para o que ocorreu nos EUA há seis anos. O país não apenas protagonizou o estouro da chamada bolha da internet em um momento de forte endividamento das empresas, com vários escândalos corporativos, como sofreu o maior ataque terrorista da história no 11 de Setembro de 2001.

Poucos meses depois do tranco, os EUA estavam novamente de pé. Mais: empurraram o mundo para o seu mais longo período de forte crescimento em mais de três décadas, até 2007.
Na atual crise, as empresas norte-americanas têm pelo menos três trunfos: 1) tiveram nos últimos anos os maiores lucros da história; 2) cerca de 40% de seus ganhos são gerados hoje fora do solo norte-americano, epicentro da crise, concentrada no mercado imobiliário; e 3) estão aumentando fortemente as exportações com a desvalorização do dólar (as vendas externas americanas subiram 13% em 2007).

Foi exatamente essa exuberância toda que alimentou a crise, com operações de empréstimos temerárias a consumidores e compradores de imóveis nos EUA. No setor imobiliário, a oferta de dinheiro levou 70% dos americanos a terem, no ano passado, pelo menos uma casa própria (quitada ou sendo paga).

Como efeito da atual crise, espera-se agora que 2 milhões de norte-americanos tenham de devolver seus imóveis por falta de dinheiro para pagá-los. Cerca de cem fundos que montaram financiamentos imobiliários devem desaparecer, amargando prejuízos superiores a US$ 400 bilhões.

A atual volatilidade nas Bolsas mundiais é resultado desse rombo, entre outros. Como os investidores internacionais ganharam muito dinheiro em praças como o Brasil (a Bovespa subiu 44% em 2007, e 410% desde 2003), eles estão realizando parte desses lucros (vendendo ações) para cobrir perdas em outros locais, nos EUA principalmente.

Continua em MEGABOLSA

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