A queda hoje das bolsas da Ásia (Tóquio fechou -3,97%; Xangai -7,19%; Hong Kong - 4,3%; Taiwan - 3,28%; e Seul - 3,85%) e a abertura negativa da Europa têm os mesmos motivos da semana passada: ainda não se sabe o tamanho da recessão americana, nem sua duração, nem seu efeito sobre as economias emergentes. Também influenciou um relatório divulgado pelo Goldman Sachs que levanta a hipótese de recessão na economia japonesa.
Os economistas estão confusos e defendendo teses diferentes. A reunião de Davos terminou pessimista, mas não se sabe qual dos pessimistas está com a razão: se os que acham que a recessão americana vai durar dois trimestres e apenas reduzir o crescimento do resto do mundo, ou os que prevêem um crescimento mais prolongado.
E os economistas mudam de idéia rapidamente. O ex-secretário do Tesouro americano, Larry Summers, publicou um artigo no Financial Times dizendo que há dois meses se dizia que a economia americana não precisaria de estímulo fiscal para reduzir o impacto da recessão e que a redução dos juros não deveria ocorrer porque isso poderia elevar a pressão inflacionária. Pois agora, o governo já jogou US$ 150 bi de estímulo fiscal na economia, reduziu os juros e a discussão é sobre quão profunda e longa será a recessão. Em resumo, as expectativas pioraram bastante.
O viés está negativo e as bolsas só estão subindo quando há um fato novo, mas a onda boa criada rapidamente se esgota e volta o pessimismo. E esta semana será bem agitada com a divulgação de vários indicadores americanos. Hoje saem as vendas de dezembro do setor imobiliário, na terça a confiança do consumidor e a venda de bens duráveis, na quarta o PIB do quarto trimestre. Até sexta-feira teremos também os resultados sobre a renda e o desemprego.
Hoje à noite, Bush faz seu discurso anual no Congresso, e a expectativa é sobre o tom que ele dará à crise econômica. Ele deve pedir que o Senado aprove com rapidez o pacote costurado na semana passada. Na quarta-feira, o FED se reunirá e provavelmente cortará novamente os juros, dando mais um estímulo monetário à economia americana.
Aqui no Brasil nesta semana pré carnaval o fato mais importante será a divulgação da ata do Copom na quinta-feira que trará a avaliação que o BC faz da crise.
Para quem quer um pouco de alívio em tanto pessimismo que os economistas estão espalhando em suas análises, a leitura da entrevista de José Roberto Mendonça de Barros no Valor ajudará. Conversei com José Roberto na semana passada. A tese dele é que o fato de que as bolsas estão caindo juntas não significa a morte da tese do descolamento (aquela que dizia que China e Índia continuariam puxando o mundo, mesmo na hipótese da recessão americana). Ele acha que o descolamento vai ocorrer na economia real. E que o Brasil terá apenas redução do ritmo de crescimento, com piora leve em alguns itens: menos consumo, menos oferta de crédito, menos crescimento da renda. Mas vai continuar se segurando. Se a recessão for curta é isso mesmo que vai acontecer.
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