As perdas acumuladas em suas operações foram as maiores já registradas nesse tipo de fraude, superando em muito o "recorde" anterior do operador Nick Leeson, de US$ 1,4 bilhão. A história de Lesson, inclusive, virou filme, cujo nome é Rogue Trader (1999), por aqui traduzido como "A Fraude", muito bom, por sinal.
Nessa história de operações perdedoras, porém, há uma outra de grande vulto que não teve nem de perto a cobertura dada a esses dois desconhecidos.
Entre 1999 e 2002 o, Gordon Brown, na época chanceler britânico, determinou a venda de nada menos que 395 toneladas de ouro em espécie que estavam armazenados nos cofres do Tesouro Inglês. O volume foi tão alto que essa quantidade representava mais da metade das reservas inglesas.
A operação não poderia ter sido feita de modo mais amador, pois nesse período o ouro estava com sua cotação no menor nível dos últimos 20 anos, de modo que o preço médio das vendas de Mr. Brown ficou em modestos US$ 265 por onça, muito abaixo dos atuais 910 dólares.
O Parlamento tentou, em vão, convocá-lo para esclarecer tal procedimento, mas até o momento o Tesouro vetou todas as solicitações nesse sentido.
As perdas para o Tesouro Inglês nesse episódio estão estimadas desde então em mais de US$ 5 bilhões, valor que pode aumentar ainda mais se o preço ouro continuar subindo. Se a cotação atingir a marca de Mil dólares a onça, por exemplo, as perdas podem superar as de Mr. Kerviel.
Acho pouco provável que a história de Mr. Brown renda algum tipo de filme, já que poucos espaços destacaram esse assunto até o momento.
Ao contrário de Leeson e Kerviel, que foram presos, Gordon Brown parece ter se beneficiado de seu título provisório de segundo pior operador do mundo em volume de perdas: não só ficou livre da cadeia ou de explicações posteriores como hoje se tornou o Primeiro Ministro britânico, sucedendo Tony Blair.
Quando as perdas se dão nos bancos, cadeia é a solução. Quando o lesado é o Estado, e, por extensão, a sociedade, nada melhor do que celebrar o fato com uma promoção.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
O segundo pior operador do mundo (até esse momento)
Na semana que passou, ganhou o noticiário a história de Jérôme Kerviel, trader de 31 anos que maquiou perdas de mais de US$ 7 bilhões em operações para o banco francês Société Générale. Hoje, dia 26, ele foi preso pela polícia francesa e deve estar nesse momento sob interrogatório.
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