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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Se americanos não gastarem, pacote do governo fracassará

Risco

Após o acordo entre Bush e Democratas sobre o pacote de socorro à economia, a dúvida agora é o que os americanos farão com o dinheiro dado pelo governo. Cerca de U$ 100 bilhões serão injetados na economia em forma de corte de impostos para pessoas físicas, e a aposta é que o dinheiro seja usado no consumo. A estratégia é dar reembolso de impostos entre US$ 600 a US$ 1.200 a cada contribuinte que tenha renda anual maior que US$ 3 mil e até US$ 75 mil por ano ou casais com renda até US$ 150 mil anuais. Quem não faz declaração de renda, mas recebe menos de US$ 3.000 anuais, receberá um cheque de US$ 300.

Porém, pondera o colunista do New York Times Paul Krugman, se o dinheiro do pacote for parar nos bancos, o plano de estimular a economia fracassará. Alguns jornais americanos já foram às ruas perguntar o que as pessoas fariam. As repostas foram as mais variadas: gente dizendo que ia guardar, que pagaria dívidas e que iria comprar um novo lap top.

Krugman questiona que parte do pacote terá como destino pessoas com relativa estabilidade financeira. Segundo ele, o consumo dessa classe é definido pela renda no longo prazo e não pelo contracheque do último mês. Ele aposta que boa parte do pacote vá sim parar no caixa dos bancos e argumenta que foi isso o que aconteceu em parte durante o corte de impostos de 2001, logo após os atentados de 11 de setembro.

Ontem, após o anúncio do acordo, as ações de empresas de varejo caíram por descrença de que o plano dará certo. O presidente da consultoria de varejo Davidowitz & Associates Inc., com sede em Nova York, Howard Davidowitz classificou o pacote como "uma gota num balde".

"Com os consumidores às voltas com dívidas, preços de alimentos e combustível em elevação e sem poupanças, o pacote proposto não basta para estimular os gastos com consumo", afirmou.

Veja o artigo de Paul Krugman no New York Times.

Miriam Leitão.com

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