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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tendência conservadora e repulsa à tomada de decisão

O apego que as pessoas têm ao que recebem pronto, como uma herança, pode atrapalhar na hora de tomar a melhor decisão de investimento. Para Jurandir Sell Macedo, professor de finanças comportamentais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fenômeno foi descrito quando a Universidade de Harvard introduziu um novo plano de saúde para os seus professores. A maioria dos docentes preferiu permanecer no plano antigo, embora o novo fosse mais vantajoso e atraísse os professores recém-contratados da instituição.

- As pessoas se negam a alterar, por exemplo, a carteira em que seu plano de aposentadoria está aplicado - conta Macedo.

Herança

Também são comuns casos em que a pessoa não quer vender uma herança, mesmo que nunca vá usufruir o bem.

- Uma vez atendi uma senhora viúva de 65 anos que queria gerenciar uma carteira de ações que havia herdado do sogro - lembra. - Ela não tinha o perfil para um investimento com aquele risco e recomendei que tirasse do mercado de ações e investisse em fundos DI ou que trocasse para um fundo de ações. Ela recusou. Ocorre que o seu sogro tinha o costume de freqüentar uma corretora diariamente e negociar ações, o que fez por mais de 30 anos. Assim, a nora recebeu uma carteira de poucas ações com um perfil altamente especulativo.

Macedo sugeriu que ela trocasse a carteira por papéis de empresas maiores e mais estáveis. Mas ela continuou recusando. Alegava que seu sogro conhecia muito bem o mercado e deveria saber o que estava fazendo.

- Mostrei que ele mudava muito a carteira e era possível que já não tivesse mais aquelas ações se ainda estivesse vivo. Finalmente ela disse que não mudaria, pois viria a sofrer se a nova carteira rendesse menos do que a escolhida pelo sogro - recorda. - Quando a questionei sobre o que sentiria se a carteira rendesse menos do que a sugerida por mim, respondeu que não seria culpa dela - conclui Macedo.

O caso acima encontra explicações na psicologia cognitiva. De acordo com este campo de estudo, grande parte das pessoas detesta decidir, pois tem medo e se arrepender de uma escolha ruim. Sempre que possível, a pessoa delega decisões a outras para ter a quem culpar em caso de erro.

- Para fugir das consequências do efeito doação, em que as pessoas se apegam ao que foi ganho, é preciso lembrar que não decidir também é uma decisão. O grande responsável por seus investimentos é você - destaca o consultor.

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