quinta-feira, 20 de março de 2008

Cenário do medo

Hoje, caiu a seguinte ficha nos mercados globais: e se o mundo estiver caminhando para uma combinação de recessão, a partir dos EUA, com inflação, espalhada por diversos países importantes, inclusive a China, em meio a uma crise do sistema financeiro?
É o pior cenário.
Todos esses temas estavam por aí. Mas até aqui se entendia que, apesar da crise americana, a economia mundial, puxada especialmente pela China, continuaria num ritmo de crescimento mais do que razoável, inclusive em diversos setores dos EUA.
Nesse caso, os produtos agrícolas, minérios, metais e combustíveis, petróleo, principalmente, continuariam sendo demandados, de novo sobretudo pela China. Logo, um porto seguro era comprar esses produtos diretamente, e mais o ouro, e também as ações das companhias que produzem essas coisas, como a Vale. Quem fazia isso? Consumidores, investidores querendo proteger seu patrimônio e fundos especuladores, claro.
Fazia sentido. Desde o início da atual crise, em agosto do ano passado, as commodities passavam ao largo. O índice da revista “Economist” desta semana, por exemplo, mostrou que os preços, em 11 de março, estavam 40,7% mais altos que um ano atrás e 10% acima do registrado um mês atrás.
A China continuava consumindo absurdamente. (Sabiam que os chineses comem mais da metade da carne de porco produzida no mundo?) Há poucas semanas, a Vale fechou contratos com siderúrgicas do mundo todo prevendo reajustes de 65% a 71% no preço de seu minério de ferro. Principais fregueses, os chineses consomem um terço do aço mundial.
Hoje, ações da Vale caíram quase 7%; as da Petrobrás, mais de 7%. Desabaram preços de ouro, do petróleo, de todos os metais básicos (como cobre, alumínio, níquel, chumbo, zinco e estanho), em resumo, de tudo que parecia um porto seguro.

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