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segunda-feira, 24 de março de 2008

A Fazenda e os automóveis

Discussão da semana: a idéia do Ministério da Fazenda de restringir a concessão de crédito para restringir o consumo, diminuir o consumo das famílias e assim, espera-se, reduzir a pressão inflacionária.

Primeira observação: não faz muito tempo, Lula e Mantega comemoravam o consumo das famílias, que havia impulsionado o PIB de 2008, e o presidente, em especial, comemorava a ampliação do crédito, dizendo como as prestações menores haviam permitido que muitas pessoas comprassem seu carrinho.

Pois agora o Ministério da Fazenda quer limitar o número de prestações a 36 meses, no caso da venda de automóveis, se não houver acordo com bancos, montadoras e concessionárias.

Por que?

Porque, como diz o próprio presidente Lula, se o consumo excede a produção, vem desgraça da inflação.

Tudo considerado, Lula e Mantega estão dando razão ao Banco Central que desde o final do ano passado vem dizendo que a demanda está exageradamente aquecida. Observa que os investimentos estão crescendo, mas aparentemente em ritmo não suficiente para evitar gargalos na produção.

A receita do BC para essas situações é uma só: aumentar os juros e esfriar a demanda geral.

A Fazenda não aceita esse caminho e procura a alternativa, como essa de intervir em alguns setores mais aquecidos (automóveis, em especial).

Funciona?

Se o aquecimento e a ameaça de inflação fossem apenas no setor dos automóveis, funcionaria.
Mas o aquecimento é geral. Decorre de ganhos de renda, mais empregos e sobretudo mais crédito para toda a sociedade.

Isso exige como resposta uma ação geral, como a elevação dos juros. Qualquer outra coisa é tentativa de mágica, que não funciona.

Carlos Alberto Sardenberg

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