... O Federal Reserve cortou, neste domingo, sua taxa de redesconto em 25 pontos-base, para 3,25% aa. A taxa é utilizada numa linha especial de crédito ao mercado, com o objetivo de socorrer instituições em dificuldades. O sentido de urgência que revestiu essa decisão espelha a gravidade da crise nos EUA. O FED não apenas se reuniu extraordinariamente no final de semana, o que já seria suficiente pra sinalizar que a coisa é brava, como decidiu não esperar pelo encontro formal do FOMC, amanhã.
... Outra notícia de ontem nas agências internacionais diz respeito à crise em Wall Street. Confirmando rumores, o JP MORGAN comprou o BEAR STEARNS, o primeiro grande banco norte-americano derrubado pela crise do SUBPRIME. A transação foi realizada por TROCA de ações. Cada título do BEAR entrou por apenas US$ 2 (dois dólares), muito abaixo do valor da ação na sexta-feira (US$ 30). Resta esperar pela reação do mercado. As investidas não resolvem, mas ajudam a administrar a crise no dia-a-dia.
... Cresceu (e muito) o suspense em NY às vésperas da reunião do FOMC, amanhã... Até então tido como teto, um corte de 75 pontos-base no juro americano, para 2,5%, agora tem tudo para desanimar feio, porque o mercado está pedindo mais. Depois que o CPI de fevereiro surpreendeu, na sexta-feira, com estabilidade no núcleo e no índice, traders e analistas em WALL STREET acham que o resultado da inflação abriu espaço para um desaperto mais firme. Muita gente está defendendo redução de até 1,0 ponto porcentual.
... Com a RECESSÃO no topo da pauta, está pesando o medo de uma quebradeira geral dos bancos, depois de o BEAR STEARNS ter puxado a fila. Na sexta-feira, bateu tão fundo a percepção da crise que, na agência DJ, o economista Tony CRESCENZI (Miller Tabak) disse que o resgate relembra os dias da Grande Depressão dos anos 1930.
... A semana poderá também ser sacudida por resultados corporativos de bancos pesos pesados. No olho do furacão, o BEAR antecipou de quinta-feira para hoje à noite a divulgação do balanço do primeiro trimestre fiscal.... Analistas esperam baixas contábeis de US$ 15 bilhões. Amanhã, é a vez GOLDMAN SACHS e do LEHMAN BROTHERS soltaram seus números... O momento tem sido definido pelos especialistas como “o mais sombrio” para ambos os bancos de investimento desde que lançaram suas ações em bolsa, em 1999 e 1994, respectivamente. Quarta-feira é a vez do MORGAN STANLEY.
... Abreviada pelo feriado da PÁSCOA, já na quinta-feira alguns mercados em NY fecham mais cedo nesta semana, nem por isso a agenda de indicadores é menos eletrizante. Amanhã (terça-feira), o PPI (preços ao produtor) perde um pouco do status, depois que a inflação ao consumidor tranqüilizou. Mas HOJE tem uma bateria de dados importantes. O dia começa às 9h30, com o índice de atividade EMPIRE STATE (previsão: -8 em março), além do déficit em conta corrente no quarto trimestre (-US$ 184 bilhões). Às 10h15, sai a PRODUÇÃO INDUSTRIAL de fevereiro. À tarde, sai a atividade do meio-oeste em janeiro (13h), além do índice de atividade em construção de moradias em março, às 14h.
... Na EUROPA, o BC turco realiza decisão de política monetária nesta quarta-feira, com expectativa de que reduza o juro em 25 pontos, para 15%.
... Na ÁSIA, é esperada uma solução para o impasse relacionado à indicação do próximo presidente do BOJ, já que o mandato de Toshihiko FUKUI termina na quarta-feira.
... AQUI, o calendário é mais fraco, nesta semana, limitando-se a índices preliminares de inflação, cinco no total. HOJE, sai a segunda prévia de março do IPC-S (8h), com estimativas de 0,11% a 0,16%, mediana em 0,12%, apurou o AE Projeções. Também às 8h, a FGV divulga outro indicador, o IGP-10 de março, que deverá subir entre 0,37% e 0,55%, mediana em 0,49%.. Amanhã, sai o IPC-S das capitais na semana até o dia 18, e na quarta-feira as duas segundas prévias de março do IPC-FIPE e IGP-M.
... A temporada dos BALANÇOS prossegue HOJE com COPEL, KLABIN SEGALL, PDG REALTY e SARAIVA. Mas é quarta-feira o dia forte: ELETROBRÁS e ELETROPAULO.
O juro vai subir
... O PIB do quarto trimestre de 2007, a Ata do COPOM, a taxação do capital externo em renda fixa e as vendas no varejo de janeiro devem se traduzir em uma alta da projeção para a taxa SELIC na pesquisa FOCUS que sai daqui a pouco, às 8h30... Essas notícias aumentaram significativamente a chance de um aumento de juros, já na reunião de abril. Esse ajuste no cenário deve se refletir na mediana das previsões do mercado.. Na curva do DI, a nova aposta é de uma elevação mais radical, de 50 pontos-base.
... As VENDAS NO VAREJO, divulgadas na sexta-feira pelo IBGE, só confirmaram o que havia antecipado a ATA, que o consumo segue em ritmo acelerado neste início de ano, e de forma surpreendente. As vendas subiram 1,8% sobre dezembro, que já é um mês tradicionalmente forte para o comércio por causa do Natal. O dado superou a mediana de 1,45% do intervalo das previsões dos analistas (0,7% a 2,2%). Em relação a janeiro de 2007, o avanço foi de 11,8%, perto do teto das estimativas (12,0%), fazendo deste janeiro o melhor da série histórica. A média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência, registrou crescimento de 1,3% no trimestre encerrado em janeiro.
... Em reação ao resultado das vendas e ao nervosismo no exterior, o DI janeiro de 2009 avançou a 12,25%, de 12,17% na quinta-feira, com máxima de 12,29%... O DI janeiro de 2010 fechou em 13,09%, com máxima de 13,17%, de 12,98%.
... Em sintonia com a mensagem dura da ATA, o presidente LULA advertiu para os riscos do (forte) crescimento da economia, afirmando que é preciso que a oferta acompanhe, senão, a “doença desgraçada da inflação” volta. Se alguém precisava saber pra que lado está jogando o Planalto, não tem mais dúvidas. O sinal está verde para o BC.
... O IOF sobre o capital estrangeiro para aplicações em renda fixa e para títulos públicos, que começa a ser cobrado a partir de hoje, também pesou sobre o mercado de JUROS. Para Mauro LEOS (MOODY´s), a cobrança “talvez possa ter impacto sobre o sentimento do investidor”. Em relação à classificação soberana, no entanto, LEOS disse que “o importante é o quadro geral do País”, embora tenha admitido que “o risco é relevante” se novas medidas no front fiscal vierem a ser decididas. Ele também considerou “muito importante” que o Banco Central e o Ministério da Fazenda atuem de forma coordenada. “Ou as coisas podem ficar mais complicadas do que teriam que ser”.
... O DÓLAR teve um dia de forte volatilidade. A alta americana oscilou entre a mínima de R$ 1,676 (-1,0%) e a máxima de R$ 1,724 (+1,83%), para fechar em R$ 1,714 (+1,24%).
... BOVESPA seguiu NY durante quase todo o pregão, mas, perto do fechamento reduziu as perdas, amparada principalmente pelos papéis de VALE, para fechar em baixa de 0,46%, aos 61.991 pontos, com volume de R$ 5,888 bilhões. As ações da ON mineradora subiram 2,26% e PNA, +0,12%, com novos rumores de que estaria perto de fechar a negociação de compra da anglo-suíça XSTRATA. Também PETROBRAS ON diminuiu a baixa, para 0,56%, após a atuação pesada de uma instituição na compra, segundo o jornalista Téo Takar (Empresas e Setores). PETRO PN fechou em baixa maior, -1,97%.
... No mercado da DÍVIDA externa, o Global-40 fechou a 133,00 cents (estável), enquanto o risco Brasil estava em 289 pontos-base, queda de 4 pontos, no final da tarde.
A era do gelo
... Feito bola de neve, a crise do SUBPRIME (e do crédito) vai se espalhando aqui e ali, e com tanta força e rapidez, que já leva analistas na City londrina ao prognóstico de uma nova etapa nos negócios: a FASE DAS FALÊNCIAS, como eles têm chamado, em que a dúvida passa a ser agora quem serão as próximas vítimas da avalanche. “É claro que o BEAR STEARNS não está sozinho”, afirmou um economista baseado em Londres para a correspondente Daniela Milanese (AE). Tudo fica ainda pior, quando os investidores começam a pôr em xeque as limitações do FED, que não vai poder derrubar o juro para sempre. “Daqui a pouco acabam as balas” de BERNANKE, advertiu um analista.
... Fontes avaliaram à jornalista que há dois pontos centrais para serem atacados: 1) os problemas de capital dos bancos e 2) as HIPOTECAS podres nas mãos dos consumidores. Nos dois casos, poderá ser necessário o uso de dinheiro público, ou uma espécie de PROER americano, definiu Wilber COLMERAUER, consultoria LIABILITIES SOLUTIONS.. O que complica é que esta é uma decisão política, em pleno ano eleitoral.
Continua em Bom Dia Mercado

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