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quarta-feira, 26 de março de 2008

Privatização fracassada


O governo paulista deu as razões para o fracasso do leilão de privatização da Cesp:
- momento inoportuno – grandes instituições financeiras internacionais ainda sofrem ou estão ameaçadas ou desconfiadas com a crise do crédito nos EUA; assim, só entram em negócio muito bom;
- preço caro – quem comprasse a Cesp teria de pagar seis bilhões e uns quebrados para o governo paulista e gastar mais uns 17 bilhões para comprar ações de minoritários e assumir dívidas das companhias;
- a incerteza em relação a duas usinas que representam 40% da capacidade de geração da Cesp e cujas concessões vencem em 2015, sem que se saiba qual a regra de renovação.
Tudo considerado, o governo paulista tentou cobrar preço de primeira classe para um ativo de segunda.
Reparem a questão do financiamento: está claro que o momento é ruim, mas têm saído grandes negócios mundo afora e mesmo aqui no Brasil. Não há problemas de financiamento para as usinas do rio Madeira.
Mas há problema para um financiamento de R$ 23 bilhões (ou US$ 13 bilhões, dinheiro grande em qualquer país do mundo) para uma empresa que tem receita garantida por apenas sete anos. É evidente que isso derruba o preço.
Ou seja, um processo de privatização mal conduzido. Não adianta o governador Serra dizer que resistiu e não vendeu na bacia das almas, como queriam as grandes companhias de energia. Como aquele vendedor que diz que seu carro vale 50 paus, mas nunca encontra comprador.
Empresas privadas não podem jogar fora o dinheiro de seus acionistas. Se o produto não é bom…

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