O órgão regulador do mercado financeiro de Londres (FSA, de Financial Services Authority) desconfiou da forte volatilidade nos negócios nos últimos dias. Pela primeira vez em sua história, hoje um diretor desse órgão comunicou formalmente a abertura de investigação para tentar identificar quem espalhou os rumores que colocaram na berlinda bancos e outras instituições financeiras.
O FSA advertiu ainda que não toleraria especulações, a montagem de posições de curtíssimo prazo, vinculadas a esses rumores.
O problema não é apenas britânico. Há rumores desse tipo pelo mundo todo, inclusive no Brasil. Já circulam emails falando de saques em bancos.
Grave situação, porque há uma base real. Grandes bancos internacionais de fato passam por maus momentos. Há crise de crédito, de confiança e de solvência, conforme o setor e conforme o banco. Além disso, há um precedente: os rumores sobre o Bear Stearns eram verdadeiros.
Mas ocorre – e aí vem o maior problema – que é possível que os rumores tenham dado o golpe final no Bear Stearns. Ou seja, nesse negócio de dinheiro, confiança é a questão chave. Quebrada, está aberto o caminho para ações desesperadas de puro medo ou de especulação. Uma corrida contra um banco sempre tem os dois motivos.
As pessoas que têm seu dinheiro nos bancos precisam demonstrar enorme sangue-frio e forte atenção. As autoridades, além de sangue-frio, precisam ser capazes de severa vigilância.
Não é fácil.
Carlos Alberto Sardenberg

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