Considere a China: no início dos anos 90, o país consumia 2,4 milhões de barris/dia de petróleo e exportava 400 mil barris/dia. Ou seja, mais do auto-suficiente, era fornecedora líquida nos mercados mundiais.
No último mês de março, a China importou 4,09 milhões de barris/dia.
Na média do ano passado, a China importava 3,3 milhões de barris/dia e produzia 3,7 milhões.
Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo mundial de petróleo vai chegar neste ano a 87,2 milhões de barris/dia, com um salto de 1,3 milhão sobre o ano passado.
Vejam aí: a China, sozinha, é responsável por quase dois terços do aumento do consumo. E os demais países emergentes, embora menores e menos dinâmicos que a China, também estiveram em forte crescimento nos últimos anos. Todos, portanto, estão consumindo mais, de comida a metais e óleos.
Conclusão: na base da disparada de preços do petróleo tem uma forte elevação da demanda, sem um correspondente salto na produção. Não que não haja investimentos em novos campos, mas é que isso demora.
Tomem as novas áreas super-promissoras do Brasil: só começarão a produzir em quatro, cinco anos, e isso se houver dinheiro e equipamentos para a exploração.
O único país hoje com condições de elevar a produção imediatamente parece ser a Arábia Saudita. Embora seja um dos mais moderados membros da Opep, seu governo hesita em colocar muito mais óleo no mercado, mesmo porque não sabe exatamente o que é consumo e o que é especulação.
Sim, porque em cima da explosão do consumo, vem a especulação financeira, que, aliás, faz todo sentido. Consumidores de petróleo, nervosos com a disparada de preços, tratam de comprar hoje para garantir o suprimento. Investidores que estavam em um mercado financeiro abalado pela crise dos EUA também encontram um negócio mais seguro na compra de óleo e outras comodities.
E lá se vão os preços de novo.
Ou seja, no barril a 120 dólares tem especulação. Mas o preço, digamos, correto, também não está nos 70 dólares, cotação de exato um ano atrás.
Resumo da ópera: petróleo é e continuará caro, uma causa forte de inflação mundial.
Carlos Alberto Sardenberg

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