Por que muitas pessoas são contra a globalização? Por que culpam a integração dos mercados pela pobreza que assola diversas regiões do globo? A respostas para essas duas perguntas são amplas, requerendo uma análise profunda. No entanto, existe um fator que, sob o meu ponto de vista, catalisa o sentimento anti-globalização: a disponibilidade e a rapidez da informação.Se você pudesse voltar no tempo, testemunharia um fato do qual que poucas pessoas parecem se dar conta, mas que é de extrema importância para entender como o comércio beneficiou e continua beneficiando o homem. O fato do qual estou falando é o de o estado inicial do ser humano era a pobreza extrema. Nossos ancestrais não tinham opção alguma; era ir atrás de comida ou morrer. Não havia tempo para cuidar de doenças, muito menos para o lazer.Hoje muito mudou. Com a divisão do trabalho, existem aqueles que vão atrás da comida e outros que ficam responsáveis pelas demais tarefas. A troca voluntária - comércio - é o segredo para o desenvolvimento do homem. Basta ver como evoluiu a mortalidade infantil nos últimos séculos, assim como a expectativa de vida.Mas voltando às suas perguntas iniciais, eu tenho a impressão de que a facilidade com que as pessoas têm acesso à informação acaba por gerar um sentimento de culpa nelas mesmas. Ao ler uma notícia de que existem pessoas morrendo de fome na África, essas pessoas acabam por esquecer tudo o que já foi conquistado. Não entendem que a fome persiste em locais onde não existe comércio, onde não existem incentivos para que as pessoas façam parte da globalização. Em outras palavras, há fome onde não há globalização.Se pensarmos bem, o movimento anti-globalização é relativamente novo, com seu surgimento coincidindo com o de novas tecnologias de comunicação. Se europeus, norte-americanos e brasileiros não tivessem acesso à notícias da África, por exemplo, muito dificilmente esse movimento teria tanta força por aí.

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