Os resultados da balança comercial desta semana mostram que as importações voltaram a reagir depois de um mau resultado na primeira semana de abril e também na segunda semana. Este mês, na comparação com o mesmo período de março, a queda das importações está em 6,9%, mas já foi de 12,9% (na semana passada). Nessas mesmas três semanas, as exportações crescem 1,8%. Mas o preocupante é a corrente de comércio (exportações + importações), que apresenta ainda variação negativa, de 2,4%. A grande explicação atual para dados como esses, no momento por que passa o comércio internacional, é a greve dos auditores da Receita, que já completou um mês e ainda não tem prazo para ser encerrada. Eles exigem equiparação de salários com os delegados da Polícia Federal, que recebem R$ 19.000 mensais.
No ano, o saldo cai bastante, são mais de 63% de queda, mas isso já era esperado pois, ainda que as exportações estejam crescendo, as importações estão crescendo muito mais. No entanto não é um problema grave o país estar importando muito; ao contrário é, a princípio, um indicativo de que o Brasil está crescendo e as importações podem ajudar, em alguns casos, a diminuir a pressão sobre preços. O problema grave é, num mercado ainda aquecido, ter que lidar com problemas como esta greve da Receita, ou as graves falhas na infra-estrutura, seja das estradas ou dos portos.
Miriam Leitão

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