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terça-feira, 22 de abril de 2008

Sinais de superaquecimento

Andei circulando nestes dias por Curitiba, Ponta Grossa, Londrina e Maringá, em um ciclo de palestras da CBN, e topei com alguns sinais econômicos, que passo ao internauta:

Conversa com o diretor de uma concessionária de caminhões: “Vendas estão bombando, não é mesmo?” – provoco. O rapaz não perde o mote: “Sim, vendendo, estamos, difícil é entregar”.

Conto a história pouco depois para um amigo, diretor de montadora de caminhões e provoco: “Então, está faltando caminhão?”. E ele: “faltando não, mas tem fila”. Acrescenta: “o que está faltando mesmo é motorista de caminhão”.

Outra pessoa entra na conversa e comenta: “inclusive tem um problema. Empresas de transporte estão apressando o treinamento de motoristas”.

Em Maringá me disseram que estava faltando semente de trigo. Pessoal da construção civil me diz que está faltando mão-de-obra, de engenheiro a peão “bom”. Na sexta, sindicatos de patrões e empregados do setor em S.Paulo fecham contrato coletivo elevando os salários em 8,5%.
Bombar é bom, especialmente para os salários. Ao contrário do que se diz por aí, todo mundo gosta de crescimento, inclusive os ortodoxos.

O problema, como no vinho, está no excesso. Algumas taças a mais e não apenas a pessoa perde o controle como perde os sentidos e já nem desfruta do vinho.

Bombando demais, consumo acima da capacidade de produção, e a festa termina em inflação, que come os salários de volta.

Daí o serviço sujo que o BC começou a fazer na útima quarta-feira: no auge da festa, está levando a bebida embora.

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