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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Barro, Ricardo e consumo

A idéia da equivalência Barro-Ricardiana nos diz que, seguindo certos pressuspostos, os consumidores não aumentarão o seu consumo em resposta a uma renúncia fiscal por parte do governo. Isso se daria devido ao fato de que as pessoas sabem que o déficit gerado teria que ser pago no futuro, e que isso significa necessariamente um aumento na taxação mais pra frente.
Recentemente, na tentativa de aquecer a economia, o governo dos EUA enviou um cheque de 600 dólares para os americanos que declararam imposto de renda no último ano. A bolada total foi de 150 bilhões de dólares, quantia esta que estaria disponível para o deleite dos consumidores. Seguindo a idéia de Barro-Ricardo, o pessoal entenderia que esse déficit teria que ser coberto no futuro, fazendo com que essa renda excepcional não fosse gasta, mas sim poupada para poder pagar os impostos por vir.
A fato, no entanto, é que isso raramente ocorre:

What did 2001 tax payers actually do months after they got their cheque from the government? According to David Johnson, Jonathan Parker and Nicholas Souleles, they spent it. The authors found the average household spent 20 to 40% of their rebate within three months of receiving it on non-durable goods (that does not include Hermes blankets). Two thirds of the average rebate was spent within a quarter of receipt. Lower income groups spent a larger fraction of their rebate.

São muitas as razões para a não-verificação da equivalência de Barro-Ricardo, mas o fato de que o consumo do rebatefoi maior entre as pessoas de menor renda me deixou curioso. Por que será que isso ocorreu? Pode ser que pessoas de menor renda tenham que satisfazer necessidades mais urgentes como alimentação e saúde, gastando o que ganham sem pensar nas conseqüências futuras. Afinal, do que adianta se importar com o amanhã se eu vou morrer de fome? No entanto, talvez isso ocorra por que o financiamento do déficit gerado seja mascarado pelo governo. É possível, por exemplo, que o aumento futuro da taxação para cobrir o déficit gerado se dê através de impostos indiretos sobre bens cuja demanda é inelástica, fazendo com que as pessoas confundam inflação com aumento de preço.

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