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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Haja emoção

Os mercados financeiros hoje são o máximo da sofisticação matemática. Os modelos que, em tese, “mandam” comprar, vender ou manter – as três possibilidades – parecem infalíveis. Então, como é que ocorrem perdas pesadas, como as ocorridas nas últimas semanas? E, mais, como é que operações baseadas em modelos tão elaborados podem, de repente, tornarem-se tão instáveis, como indica o sobe e desce das bolsas nas últimas semanas?

É que, a um dado momento, manda a subjetividade.
Exemplo: bolas caíram no mundo na sexta e na segunda por causa da queda do número de empregos nos EUA. Tem lógica: se a maior economia do mundo não está gerando empregos, então não está aumentando a produção, as empresas não vão ganhar dinheiro, o valor das ações vai cair. Vendam ações!

Mas apenas um número – a oferta de empregos em um único mês – pode criar toda essa suposta lógica?

Claro que não. Tanto que as bolsas voltaram a subir porque a suposição agora é que o Federal Reserve, Fed, o banco central americano, vai reduzir os juros e com isso reestimular investimentos e consumo. As empresas voltam a vender e lucrar. Comprem aquelas ações que vendemos ontem!

O pessoal do mercado, treinado nas matemáticas, odeia esse ambiente mais psicológico.

“O chão fugiu de nossos pés” – era um comentário que se ouvia nas mesas de operação nos dias mais críticos.

Mas é assim mesmo nos momentos de crise e transição. Afinal, a decisão de comprar, vender ou ficar sentado nos papéis acaba sendo pessoal e intransferível, movida sentimentos como medo (de perder tudo) e ganância (de aproveitar a última oportunidade).

Felizmente, esses momentos não são frequentes.

E por falar em crise, atenção para este ponto: os principais bancos centrais do mundo se reuniram e concordaram em que é preciso e possível evitar uma recessão e manter o mundo em crescimento.

Publicado no Blog do Sardenberg

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