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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O Copom aqui...

As apostas para o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) são de uma desaceleração no corte da taxa de juros. Nas últimas reuniões, a baixa foi de meio ponto percentual na taxa Selic. Para hoje, os prognósticos são de uma queda de 0,25 ponto percentual. Mas isso não vem apenas da crise financeira internacional e do aumento da turbulência no mercado: vem também de sinais mais do que preocupantes dos preços dos alimentos.

Não dá para negar. Qualquer pessoa que vá ao supermercado percebe que comer está mais caro, especialmente em São Paulo. Os consumidores que gostam de um café da manhã mais reforçado percebem que o queijo está mais salgado a cada dia. Idem para a carne, o leite, e outros produtos da cesta básica. A combinação entre o tempo seco aqui, o crescimento econômico mundial e algumas quebras de safra fez com que as cotações internacionais das commodities disparassem. Bom para as contas externas, pois eleva o superávit comercial, mas péssimo para os índices de inflação. Na manhã desta quarta-feira, a Fundação Getulio Vargas divulgou o IGP-DI de agosto, mostrando uma inflação de 1,39%. Em julho, o índice havia mostrado um aumento de preços de 0,37%.

Tudo bem, todo mundo sabe que os IGPs (IGP-DI, IGP-M e IGP-10) da Fundação Getulio Vargas são muito influenciados pelo dólar e pelos preços no atacado. Como o dólar subiu muito em agosto, os índices foram pressionados. Mesmo assim, a principal discussão é quanto dessa inflação "cambial" e de atacado vai contaminar os índices de preços de varejo.

Assim, ninguém duvida de uma desaceleração da queda das taxas. O que os economistas discutem, agora, é qual será o impacto dessa desaceleração. Nas contas do mercado, as expectativas de inflação sobem a cada semana, como bem vem mostrando a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central todas as segundas-feiras. Os prognósticos para o IPCA já se aproximam perigosamente de 4%, o topo da meta para o Banco Central. E como a função do BC é ser um eficiente gestor das expectativas do mercado, talvez seja hora de um endurecimento maior contra a inflação.

A preocupação não é só com o Copom daqui. Os bancos centrais internacionais também deixam os mercados de sobreaviso.

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