Passados dez dias da redução de meio ponto percentual na taxa de juros dos Fed Funds, o mercado de ações americanos quase voltou ao nível pré-crise e caminha para novamente bater recordes. No Brasil, já se ultrapassou os níveis mais altos de antes da crise com o Bovespa ultrapassando os 61.000 pontos e devolvendo um pouco na sexta-feira os ganhos da semana. A volatilidade dos mercados também foi reduzida no mercado internacional e doméstico. A grande questão é: o que acontece agora ?A procura de respostas passa por melhor entender o que de fundamental aconteceu, o que já sabemos, mas principalmente o que não sabemos.
A crise imobiliária americana continua seguindo seu curso e tem consequências ainda bastante relevantes a atingirem os mercados. A classe média americana utilizou a valorização dos imóveis como veículo de financiamento de consumo nos últimos anos, sustentando o crescimento econômico e gerando disponibilidade (income) para gastos. Esta "bicicleta" funcionou enquanto a valorização dos imóveis foi crescente, o que permitia múltiplos refinanciamentos a medida que os preços subiam e por consequência mais dinheiro para gastar. Com a queda vertiginosa de preços (que continuarão ainda caindo) não só esta dinâmica parou, mas se reverteu. O consumidor não consegue mais refinanciar os imóveis para gastar, mas também tem que arranjar dinheiro extra para pagar os financiamentos e cobrir a desvalorização dos imóveis. Muitos deles não tem estes recursos, daí não pagam nem a prestação do refinanciamento. Consumo adicional, nem pensar.
Continua em I Invested My Way
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