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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Será que 20 anos depois poderia haver um novo crash no mercado de ações?

John Waggoner e Adam Shell
Em Nova York

Wall Street adora os seus ditados. Compre barato e venda caro. Não vá contra a tendência das fitas de teleimpressão. Não tente pegar uma faca que está caindo.

Um ditado útil no momento poderia ser aquele que os historiadores gostam de proclamar com freqüência: Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repetí-lo.

Hoje faz 20 anos que o mercado de ações dos Estados Unidos sofreu a sua pior queda ocorrida em um único dia: o Crash de 1987. O índice Dow Jones despencou 508 pontos, ou 22,6%, enquanto ondas frenéticas de vendas varriam a Bolsa de Valores de Nova York. Foi uma desarticulação de mercado tão intensa que alguns especialistas previram uma outra Grande Depressão.

As previsões sombrias revelaram-se erradas. Mas embora declínios de tal magnitude ocorridos em um único dia sejam extremamente raros - segundo um estudo a probabilidade de ocorrência de crashes é de uma vez a cada 75 anos -, o aniversário da Segunda-Feira Negra fez com que Wall Street se perguntasse: Será que tal perda rápida de riqueza pode ocorrer novamente?

Essa é uma questão legítima. Atualmente os mercados apresentam muitas similaridades com a situação que antecedeu a Segunda-Feira Negra. Preços do petróleo em disparada. Uma economia em desaceleração. Ações com valores próximos dos recordes em um mercado em alta. Volatilidade elevada.

Quando se trata de pânicos financeiros, nunca dá para dizer nunca. Mas a maioria dos especialistas de Wall Street enfatiza que os crashes são acontecimentos de baixa probabilidade. Segundo eles, um crash cataclísmico é geralmente o resultado de diversos estresses financeiros convergindo ao mesmo tempo - juntamente com uma grande dose de histeria em massa. Novas regulamentações, uma melhor tecnologia e autoridades de bancos centrais mais ativas fazem com que sejam menos prováveis as grandes desarticulações financeiras. Mesmo assim, é difícil prever se e quando o mercado irá descarrilar. E, tendo em vista a história de pânicos financeiros e a tendência da psicologia de mercado de mudar de um otimismo absurdo para um medo intenso da noite para o dia, pode ser que os crashes jamais sejam eliminados do vocabulário de Wall Street.

Continua em Traderclass

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