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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Há petróleo,

Mas foi marketing

Um resumo sobre as circunstâncias em torno do anúncio do megacampo de petróleo Tupy, na semana passada. Trata-se de um resumo baseado no que saiu na mídia e, especialmente, em conversas com especialistas:

1. de fato, já se conhecia o campo há mais de dois anos, pelo menos; e já se sabia que era promissor.

2. mas há novidades agora – são novas as conclusões da pesquisa depois da perfuração do segundo poço, este o avanço de dois anos para cá.

3. assim, o anúncio da semana passada não foi apenas uma jogada de marketing; havia conteúdo na informação.

4. o momento do anúncio, porém, é marketing; o governo Lula tratou de produzir uma boa notícia para tentar apagar duas más notícias: a) o “probleminha” do gás, o primeiro sinal de que há falhas na infra-estrutura de energia pelo menos nos próximos quatro anos, o que poderá trazer escassez e certamente trará aumento de preços; b) o balanço da Petrobrás no terceiro trimestre, com resultados considerados muito ruins (queda de 22% do lucro líquido, para R$ 5,528 bilhões, sobre o mesmo período de 2006), que teria de ser divulgado na última sexta.

5. a exploração daquele óleo (a 7 mil metros de profundidade) exige novas tecnologias, mas já há lugares, em outros países, em que se produz naquela profundidade.

6. de todo modo, exigirá montanhas de investimentos; se o governo quiser acelerar a exploração, precisará atrair outras empresas, nacionais e estrangeiras, pois a Petrobrás, por maior que seja, não tem os capitais nem o pessoal necessário para tamanho esforço.

7. o especialista Giuseppe Bacocolli, da Coppe/UFRJ, disse em entrevista na CBN que o óleo de Tupy vai sair caro; mas será lucrativo com o preço do petróleo a mais de 30 dólares o barril (está em torno dos 100 dólares, pode cair, mas ninguém imagina que chegue aos 30).

Blog do Sardenberg

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