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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O petróleo a 100 já não assusta tanto


Ajustado pela inflação, o petróleo a 100 dólares o barril, dólares de hoje, equivale ao preço de 1979/90, quando o mundo mergulhava numa grave recessão, e com inflação – o pior dos mundos.

Há, entretanto, diferenças significativas entre os dois momentos históricos. Em 79, segunda crise do petróleo daquela década, os membros da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo), por razões políticas, cortaram o fornecimento de óleo. O preço disparou e a economia mundial quase parou por falta de produto.

Hoje, não falta petróleo. Quem quiser, encontra o produto no mercado à vista e pode também fazer contratos de fornecimento de médio prazo. Mas produção e consumo estão muito ajustados, em torno dos 85 milhões de barris/dia.

Por isso o preço está em alta – e isso há cinco anos, porque o consumo está em alta forte, em consequência do vigoroso crescimento da economia mundial. A produção de automóveis bate recordes no mundo todo, para citar só um exemplo.

Para se ter uma idéia: quando se iniciou o atual ciclo de expansão mundial, no final de 2002, o barril de petróleo custava, em dinheiro de hoje, pouco mais de 20 dólares.

Outra diferença está na eficiência na geração de energia. O mundo hoje é menos dependente de petróleo e, especialmente, do petróleo da Opep. Primeiro, porque, hoje, a energia retirada de cada barril de petróleo gera o dobro de crescimento do que há 30 anos.

E, segundo, porque a Opep responde hoje por apenas 40% da produção mundial. O preço alto tornou rentável a exploração de óleo em áreas difíceis, e caras, como a plataforma marinha brasileira ou o Mar do Norte. Querem um exemplo? A 20 dólares o barril, o petróleo dessa maravilha de novo campo de Tupi é simplesmente antieconômico. Segundo os mais otimistas, o óleo de Tupi só é viável com o barril acima de 30 dólares. Mas há quem fale em 40 dólares ou mais.

Assim, o preço alto viabiliza a exploração do próprio óleo e também de outras formas de energia. E ainda recupera modalidades que pareciam eliminadas, como o carvão, que ficou muito barato, comparativamente.

Finalmente, a economia mundial é mais equilibrada hoje, sabe combater as pressões inflacionárias.

Ou seja, mesmo com o barulho todo feito por Chávez e Ahmadinejad, é improvável que a Opep suspenda o fornecimento de óleo. A Venezuela, por exemplo, vive de vender para o consumidor americano. O que eles querem é aumentar preços, para financiar seus projetos políticos expansionistas. Mas outros membros da Opep lembram-se bem das recessões que abateram o mundo e .... o preço do óleo.

Não quer dizer, entretanto, que não há problema algum. Petróleo caro por muito tempo gera, sim, inflação e perda de poder aquisitivo dos consumidores, tudo levando a menos crescimento e/ou recessão. E... queda de preços de óleo...

Blog do Sardenberg


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