por Delfim Netto
publicado na Carta Capital
As discussões sobre os nossos problemas econômicos têm sido prejudicadas por certo universalismo, que se pretende científico, mas que nega a demografia, a geografia e, principalmente, a história. É comum assistir a debates entre economistas que tratam o Brasil como um ser indiferenciado em um espaço mundial, cuja caprichosa geometria tem só um ponto. Nessa construção, todos os países:
1. Implicitamente, têm a mesma dimensão e as mesmas coordenadas geográficas, o que significa que as trocas possíveis não são mediadas pelo tempo (são instantâneas) e não encontram resistência de transporte (não existe distância).
2. São homogêneos, de mesma cultura, e estranhamente dotados de um altruísmo que lhes impõe a absoluta moralidade no comércio. Este beneficia, na justa proporção, todos os seus participantes.
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