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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Algumas conclusões ingênuas dos economistas nativos têm origem na crença de uma suposta igualdade entre os países

por Delfim Netto
publicado na Carta Capital

As discussões sobre os nossos problemas econômicos têm sido prejudicadas por certo universalismo, que se pretende científico, mas que nega a demografia, a geografia e, principalmente, a história. É comum assistir a debates entre economistas que tratam o Brasil como um ser indiferenciado em um espaço mundial, cuja caprichosa geometria tem só um ponto. Nessa construção, todos os países:

1. Implicitamente, têm a mesma dimensão e as mesmas coordenadas geográficas, o que significa que as trocas possíveis não são mediadas pelo tempo (são instantâneas) e não encontram resistência de transporte (não existe distância).

2. São homogêneos, de mesma cultura, e estranhamente dotados de um altruísmo que lhes impõe a absoluta moralidade no comércio. Este beneficia, na justa proporção, todos os seus participantes.

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