Plus500

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

CPI tira teima da inflação em NY. Aqui, CPMF ainda rouba cena

... Foi preciso fôlego de atleta para dar conta dos muitos ajustes e tantas notícias ontem no mercado financeiro. A pior delas foi, sem dúvida, a derrota do governo na votação da CPMF, que garantiu um baque logo na abertura a todos os mercados, especialmente aos JUROS, que subiram feito rojão. Apesar de toda a cautela que há dias cercava os negócios, no fundo, ninguém esperava que o Planalto estivesse disposto a partir para o mata-mata sem ter um curinga na manga. Na avaliação dos especialistas, faltou habilidade nas negociações, botando em risco a reforma tributária e ameaçando adiar a conquista do INVESTMENT GRADE, embora as agências de riscos se mantenham otimistas.

... Sem plano B, nem declarações firmes sobre como compensar o rombo fiscal, cresce o desconforto em relação ao que está por vir. As únicas garantias dadas até aqui são de que o governo não pretende insistir na prorrogação da contribuição e de que não haverá redução das metas fiscais. Mas como isso será possível, ainda não está claro. Envolvido em rumores de que estaria ameaçado no cargo, o ministro MANTEGA (Fazenda) chamou coletiva prometendo o anúncio de um pacote de medidas na semana que vem para recompor a perda de receita. Fala-se na possibilidade de o governo mexer em impostos como o IOF e o IPI por decreto, dispensando nova rodada de negociações no Congresso.

... Apesar do beco (quase) sem saída em Brasília, alguns analistas mais otimistas se apressaram a dizer que os fundamentos econômicos positivos continuam sendo o melhor antídoto contra o nervosismo que tomou os negócios.

... Não bastasse o incômodo com a CPMF, a ATA DO COPOM ainda confirmou as apostas de que viria bem mais conservadora. Também como previa o script do mercado, o documento não se comprometeu no documento com prazos nem rumos da SELIC. Não disse se vai subir, se vai cair, só deixou a porta aberta, dizendo que está disposto a fazer aquilo que for necessário, dependendo da evolução dos riscos. Enquanto o BC faz mistério, cresce entre os investidores a impressão de que o primeiro movimento do Comitê de Política Monetária no ano que vem poderá ser na direção de uma alta do juro.

... Em NY, quem voltou às manchetes foi a INFLAÇÃO, após cair por meses no esquecimento. Surpreendendo as previsões, o índice de preços ao produtor (PPI) deu um salto em novembro, motivado pelos preços de energia. Para tirar o teima, o mercado acompanha daqui a pouco, às 11h30, o CPI (consumidor) de novembro, que deve sofrer elevação de 0,6%. Já o núcleo deve subir 0,2%. Pouco depois, às 12h15, é importante acompanhar a PRODUÇÃO INDUSTRIAL. Os investidores contam com alta de 0,2% em novembro. AQUI, a agenda de indicadores econômicos é esvaziada e não prevê nada.

Pede pra sair!

... Quem ainda estava vendido em DI, mandou sair destas posições rapidinho, tratando de comprar juro na BM&F para não perder dinheiro. Além de o mercado ter levado chumbo com a derrota política da CPMF, também a ata enigmática do COPOM acabou abrindo espaço para especulações de um aperto monetário logo na reunião de estréia de 2008. O documento confirmou as preocupações que cresceram desde que começaram a sair os números da indústria referentes ao outubro, na semana passada. Reconheceu que há, sim, um descompasso entre o crescimento da oferta e da demanda, que representa um risco de disseminação da pressão inflacionária. Desequilíbrio este, que nem o avanço dos investimentos, tampouco o crescimento das importações têm dado conta de suprir.

Continua em Bom Dia Mercado

Nenhum comentário: