Pode escolher qual notícia ruim você prefere:
- o governo mudou de idéia e disse, ao contrário do que vinha dizendo, que pode, sim, reduzir o superávit primário. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo informou que o governo poderia reduzir a meta de superávit de 2,2% do Porduto Interno Bruto (PIB) para 1,7%, o que permitiria gastar 13,8 bilhões de reais a mais. "A lei permite", disse Bernardo ao colunista do Estadão, Ribamar Oliveira, em um de seus tocantes ataques de sinceridade. A meta de superávit já havia sido reduzida de 4,25% do PIB em 2007 para 3,8% do PIB em 2008, e agora pode voltar a cair.
Resultado: o grau de investimento pode demorar. Esse tipo de notícia é exatamente o que as agências de classificação de risco não gostam. Como o governo vai fazer sobrar menos dinheiro para pagar juros e resgatar a dívida, a relação entre a dívida pública e o PIB - que é fundamental para calcular o risco de um país - vai melhorar mais devagar. Quanto menor a dívida em relação ao PIB, melhor a situação de um país.A Fitch, que coloca o Brasil apenas um nível abaixo do grau de investimento, informou que um atraso de três meses no grau de investimento é uma perspectiva "otimista". Ou seja, aumentou a probabilidade de o grau de investimento chegar apenas em 2009. O mercado espera que outras agências façam comentários semelhantes nos próximos dias.
- a pesquisa Focus, do Banco Central, mostrou um mercado "conservador" em relação às perspectivas de queda da taxa Selic em 2008. Em novembro passado, os analistas disseram acreditar que o BC começaria a reduzir a taxa Selic em abril. Agora, cresce a convicção de que essa queda só deve começar a ocorrer a partir de julho, se ocorrer de fato.
Resultado: os prognósticos sobre juros não são bons para a bolsa.
- os investidores estrangeiros estão tirando dinheiro do mercado. Ainda não há dados consolidados para os primeiros dias do ano, mas as contas informais dos profissionais que operam para os investidores internacionais é de que só há ordens de venda no sistema. Não é uma questão de desconfiança em relação ao Brasil, mas uma questão de necessidade e de estratégia: os elevados ganhos do mercado no ano passado forneceram uma razoável dose de gordura, que pode ser queimada para satisfazer necessidades mais prementes, como os prejuízos com empréstimos hipotecários, por exemplo.
Resultado: quem vinha sustentando o mercado agora ajuda a derrubá-lo.
- vários executivos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), devem falar ao longo da semana. O próprio Ben Bernanke, novo homem-forte do Fed e sucessor de Alan Greenspan, vai dizer o que pensa na quinta-feira, dia 10 de janeiro. Os profissionais do mercado americano acham praticamente inexorável uma queda d 0,25% nos juros de lá, devido ao mau estado da economia. Na sexta-feira, o índice de desemprego de dezembro ficou acima das expectativas, o que elevou os temores de uma recessão.
Resultado: nos próximos dias, os investidores poderão receber más notícias - ou, na menos pior das hipóteses, eles poderão não receber nenhum sinal de alívio dos maestros da economia americana.
Com tudo isso, o mercado por aqui mostra evidentes sinais de tensão. A bolsa chegou a cair 1,5% no pior momento do dia, o está com 0,5% de alta e os juros para janeiro de 2010 indicam taxas de 12,74% ao ano. Segure-se na cadeira, 2008 começou com tudo.
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