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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Agenda forte inaugura 2008 e prolonga risco de volatilidade

... O novo ano chega chegando, sem trégua para ninguém, com um agenda da melhor qualidade logo na primeira semana, para manter o mundo ligado. Já hoje, às 17h, tem a ATA DO FED da última reunião de 2007, em 11/12, aquela em que o comitê de BERNANKE preferiu deixar tudo no ar, ou porque quis quebrar a previsibilidade das suas próximas atuações, ou para esconder que, como muita gente, pode estar perdido em combate. É verdade que não dá para esperar que o FOMC entregue o jogo de mão beijada. Seja como for, há sempre a esperança de que seja mais claro em seu recado.

... Antes da ATA, é importante acompanhar, às 13h, o ISM de atividade industrial de dezembro, que tem previsão de queda para 50,2. Entre os componentes do indicador, a expectativa é de recuo das novas encomendas (para 51) e preços pagos (64), mas alta do emprego, a 50,5. No mesmo horário, saem os GASTOS COM CONSTRUÇÃO, com estimativa de declínio de 0,4% em novembro. Com potencial reduzido de influenciar os negócios, ainda hoje, às 11h55, serão divulgadas as vendas semanais Redbook do varejo.

... A agenda emocionante desta quarta-feira aquece os motores para o que vem por aí nos próximos dias. Amanhã (quinta-feira), além das ENCOMENDAS À INDÚSTRIA em novembro, sai ainda a pesquisa ADP sobre o número de postos de trabalho criados em dezembro no setor privado, que pode antecipar o PAYROLL da sexta-feira. Para o Relatório do Emprego, as estimativas preliminares dão conta da abertura de 50 mil vagas no mês do Natal, menos do que em novembro (+94 mil) e em outubro (+170 mil).

... Ainda na UNEMPLOYED FRIDAY, o número dois na hierarquia do FED, Donald KOHN, fala sobre "conhecimento especializado e política macroeconômica". Sempre pode render. Na ÁSIA, hoje a amanhã (quinta-feira), os mercados do JAPÃO, em feriado, não abrem.

AQUI, a inflação é destaque, com o mercado preparado para taxas mais altas no IPC-S de dezembro hoje, às 8h. Segundo pesquisa do AE-Projeções, o índice pode ficar entre 0,66% e 0,71% (mediana em 0,67%). Na sexta-feira, sai o IPC-FIPE de dezembro e 2007.

... Além de a inflação continuar no centro do radar dos mercados, segue firme a roleta de apostas para como será a trajetória do IBOVESPA agora em 2008. A se confirmar a conquista do INVESTMENT GRADE este ano, é mesmo de se esperar que a bolsa deslanche. Para até 82 mil pontos este ano, segundo os mais otimistas, como o diretor da ÁGORA CORRETORA, Álvaro BANDEIRA, que falou ao Broadcast AO VIVO. Na opinião dele, a alta das commodities deve continuar impulsionando o mercado de ações, com os ganhos na bolsa podendo ultrapassar 43%, diante das contínuas entradas de capital estrangeiro e forte ingresso de pessoas físicas, atraídos em grande parte pelos IPOs.

... No câmbio, interessam hoje os dados da BALANÇA COMERCIAL, a partir das 10h. Levantamento mostrou que o superávit comercial deve ficar entre US$ 2,3 bilhões e US$ 3 bilhões em dezembro (mediana US$ 2,6 bilhões). Para o acumulado de 2007, o resultado deve vir entre US$ 38,7 bilhões e US$ 39,5 bilhões (mediana em US$ 39,050 bilhões).

Tim-tim

... Os investidores do mercado acionário nacional brindaram 2007, com motivos de sobra para comemorar, até porque a promessa é de que 2008 repita os lucros, a menos que o pior dos mundos ocorra no exterior, nublando o clima favorável que vem fertilizando o solo nacional. No ano que terminou na segunda-feira, o IBOVESPA chegou ao final do pregão em 63.886,1 pontos, acumulando valorização de 43,65%. Em dólar, a alta foi superior a 70%. As ações PN da PETROBRAS tiveram alta de 84% e as ON subiram 98,88%. Mas foi a CSN (+144%) a grande estrela, mais do que dobrando o valor de mercado em 2007.

... O volume de recursos que passou pelo mercado de ações também merece destaque. Segundo informações oficiais da BOVESPA, o ano passado terminou com 64 ofertas públicas iniciais de ações (IPO), que representam uma captação de R$ 55,5 bilhões, segundo apurou a editora Sueli Campo, do Broadcast.

... Para 2008, espera-se a repetição de bons números, porque tudo indica que este será o ano em que o Brasil se consagrará com o INVESTMENT GRADE, atraindo mais investimentos. Analistas nacionais e estrangeiros têm previsto que a conquista do grau de investimento se concretizará em meados do ano. As agências de classificação de risco não negam, ao mesmo tempo em que vêm enaltecendo os avanços do País.

... Nem mesmo a derrubada da CPMF reduziu esta aposta. Os especialistas, no entanto, ressaltam a importância que a falta dos R$ 40 bilhões do imposto do cheque seja compensada de preferência com cortes de gastos e não ameace o ajuste fiscal – compromissos que o governo se apressou a reiterar, logo após a derrubada da CPMF no Senado. As decisões em torno do tema serão foco de especial atenção dos investidores nestes primeiros dias de 2008, certamente com reflexos em negócios.

... Também serão alvo de atenção todos os sinais sobre a atividade econômica do País, até porque as expectativas positivas de rentabilidade no mercado acionário em 2008 dependem, em boa parte, do comportamento do PIB. Na pesquisa FOCUS, divulgada na segunda-feira, o mercado projetou crescimento de 4,5% neste ano. Levantamentos feitos por entidades do comércio após o Natal mostram que os estoques foram esgotados e o Ano Novo começa com pedidos à indústria. Por conta disso, o mercado de trabalho também deve se mostrar aquecido. O comércio fala em efetivar trabalhadores temporários.

... O que ameaça as expectativas mais positivas, além de NY, é claro, é a inflação doméstica. O mercado já esperava alta nos preços, mas as últimas taxas de 2007 superaram as estimativas e 2008 começa com o fantasma do descontrole de preços rondando os cenários de médio prazo. Cresce a impressão de que uma retomada na trajetória de queda da SELIC possa estar descartada, pelo menos nos próximos seis meses. Alguns analistas cogitam a possibilidade de que o juro básico venha até mesmo a subir, se a inflação deste primeiro trimestre continuar dando motivo.

... A FOCUS mostrou que a perspectiva é de um IPCA de 4,30% neste ano, ainda abaixo do centro da meta fixada pelo CMN (4,5%). O valor do DÓLAR ao final de 2008 é estimado em R$ 1,80, com pouca diferença em relação ao fechamento de 2007, de R$ 1,775. Esta estabilidade pressupõe um fluxo de recursos mais equilibrado este ano do que em 2007, quando a queda acumulada da moeda americana no mercado à vista foi de 16,90%.

Continua em Bom Dia Mercado

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