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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Ação extra do FED é dúvida na semana curta. Copom está dado

.. Entrecortada por dois feriados, o de Martin Luther King Jr. hoje nos EUA, e do aniversário da cidade de São Paulo, que mantém a BOVESPA fechada na sexta-feira, a semana teria tudo para ser menos volátil, não fosse a expectativa de que a qualquer momento o FED ainda possa anunciar uma reunião extraordinária para baixar o juro. O COPOM de quarta-feira já está dado, com a SELIC estreando o ano estável. Do calendário de dados econômicos também não vem perigo, o que reforça a sensação de que é a crise do SUBPRIME e seus reflexos que continuarão no topo das preocupações, ainda mais depois de o presidente BUSH ter frustrado as expectativas na última sexta-feira, ao não antecipar quase nada do plano econômico que pretende evitar uma RECESSÃO nos EUA.

... No termômetro da crise, tem para conferir uma nova leva de BALANÇOS em NY, com destaque amanhã (terça-feira) para o BANK OF AMERICA, WACHOVIA e a AMBAC, segundo maior seguradora de bônus dos EUA, que vem sendo alvo de rumores sobre falência, devido às perdas com títulos lastreados em hipotecas subprime. Ainda no setor financeiro, tem a AMERICAN EXPRESS na quinta-feira. Entre as empresas de tecnologia, a cinco estrelas MICROSOFT vem quinta-feira, junto com a AT&T. Amanhã, tem APPLE e TEXAS INSTRUMENTS; e quarta-feira é a vez da MOTOROLA e EBAY. Encerrando a semana, a sexta-feira vem com CATERPILLAR e HONEYWELL. FORD sai quinta-feira.

... Mais fraca esta semana, a agenda de INDICADORES em NY prevê dois índices de atividade para amanhã (terça-feira), de Chicago (dezembro) e o de Richmond (janeiro), além das vendas de residências usadas medidas pela Associação Nacional dos Corretores
de Imóveis (NAR), que saem na quinta-feira e são referente ao mês de dezembro.

AQUI, antes do veredicto do COPOM, ainda tem para observar a segunda prévia do IGP-M, que sai daqui a pouco, às 8h. A perspectiva é de desaceleração para algo entre 0,70% e 0,86% (mediana em 0,74%), segundo levantamento do AE Projeções. Diante da pressão menor que alguns índices inflacionários já vêm mostrando, analistas não descartam uma revisão para baixo nas previsões para os IGPs na FOCUS de hoje (8h30).

... A inflação volta à cena com a terceira prévia do IPC-S (quarta-feira) e com o IPCA-15 de janeiro, na quinta-feira, quando o IBGE divulga ainda a Pesquisa Mensal de Emprego de dezembro. Segundo alguns analistas, o desemprego pode vir ainda mais baixo do que em novembro (8,20%), quando cravou o menor patamar da série histórica, iniciada em 2002.

... Para o câmbio, pode interessar hoje o resultado da BALANÇA COMERCIAL na terceira semana do mês, a partir das 10h. Na bolsa, tem GAME nesta segunda-feira, por conta do vencimento de opções sobre ações. VALE pode ser a grande estrela, favorecida pela expectativa de um acordo muito positivo para o reajuste de seu minério de ferro. Ainda entre as blue chips, o mercado pode especular mais fortemente pelas próximas horas com o balanço da PETROBRAS no quarto trimestre e em 2007 inteiro, que sai amanhã (terça).

... Na EUROPA, duas decisões de política monetária estão previstas para esta semana. Hoje, o BC da Hungria deve manter o juro em 7,5%. Na Noruega, a taxa deve ser elevada em 25 pb quarta-feira, dia em que começa o Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça).

... Na ÁSIA, na madrugada de hoje para amanhã, a expectativa entre os analistas de mercado é de que o BC japonês mantenha a taxa básica de juro inalterada em 0,5%. Na CHINA, segue a expectativa para a inflação, produção e PIB em dezembro e 2007.

Águas de março

... Com ainda tem muita água para rolar debaixo da ponte, especialistas consultados pelo jornalista Ricardo Leopoldo (AE) acreditam que o BC esperará até março para avaliar o comportamento da inflação e da atividade, para só a partir daí definir o rumo da SELIC. Por enquanto, mesmo com a forte deterioração no cenário externo ao longo da última semana, ninguém mudou de opinião sobre qual deve ser a decisão do COPOM na reunião que começa amanhã e define na quarta-feira o juro. A previsão de 100% dos 62 analistas consultados pelo AE Projeções é de manutenção da taxa em 11,25%. Mas começa a crescer a ala daqueles que enxergam riscos para as próximas reuniões. E é neste sentido que o comunicado e a ATA (prevista para o dia 31) exigirão lupa na mão do mercado.

... Importando a crise de NY, ninguém duvida que o cenário de curto e médio prazo vem sofrendo ajustes para pior. Dos 40 analistas que informaram as estimativas para o encerramento da SELIC neste ano, a maioria (25) aposta na estabilidade. Mas um economista já apontou previsão de alta de meio ponto, para 11,75%, outro falou em 0,75 ponto de alta, a 12%, um terceiro arriscou 12,75% e, por fim, surgiu ainda uma previsão de que a SELIC encerrará 2008 em 13,50%. No lado otimista, seis instituições mencionaram uma taxa de 10,75%; três previram 10,50% e apenas duas citaram o nível de 10,25%.

... O economista-chefe do ABN AMRO Asset Management, Hugo PENTEADO, conta com um risco significativo de alta do juro este ano, ainda que seu cenário básico seja de estabilidade até lá. "Dois drivers determinarão o comportamento dos juros: o primeiro é a aceleração da demanda e o segundo, o choque de oferta de alimentos. Esta é uma coincidência perversa", avaliou. Ele lembrou que, em junho, a previsão dos analistas para o IGP-M ao final de 2007 era de 3,30% (mediana da FOCUS) e que o índice acumulou alta de 7,75%. "Foi uma surpresa gigante", considerou, acrescentando que o mesmo ocorreu com o IPCA: em junho, a mediana das projeções estava em 3,50% e o indicador fechou 2007 em 4,46%. "Com isso, a inércia da inflação para este ano está maior", disse.

... Seja como for, uma boa notícia em relação à inflação surgiu na sexta-feira, quando o IPC da Fipe e o IGP-10 de novembro mostraram desaceleração. Mesmo em queda, as taxas continuam elevadas. Mas foi considerado muito positivo o fato de ter havido uma mudança de rota dos índices, que, até agora, superavam as estimativas ou ficavam muito perto do teto das previsões. A inflação na cidade de SP subiu 0,71% na segunda prévia de janeiro, perto do piso das estimativas (+0,75%). Já o IGP-10 subiu 1,02% neste mês de janeiro, contra 1,59% em dezembro, dentro do intervalo de projeção (0,90% a 1,26%).

... Na BM&F, os JUROS FUTUROS preferiram reagir na sexta-feira ao alívio com a inflação do que acompanhar o nervosismo geral com a piora externa. Aproveitaram para antecipar uma realização de lucros, depois de terem acrescentado nos últimos dias prêmios muito elevados, considerados até exagerados por alguns, diante do cenário nebuloso em NY e do clima de incertezas sobre o rumo da política monetária doméstica.

... O DI janeiro de 2009, o mais negociado, consolidou-se abaixo dos 12%, encerrando em 11,92% (de 11,98%). O contrato para janeiro de 2010 recuou de 12,79% para 12,75%.

... Também a BOVESPA “barata” encontrou espaço para uma recuperação, apesar de WALL STREET não ter colaborado. Com os preços ficando atrativos, o índice à vista conseguiu subir 0,82%, aos 57.506 pontos. Mas o dia não foi nada fácil. A instabilidade foi tamanha, que o índice oscilou entre a máxima de 58.291 pontos (+2,2%) e a mínima de 56.241 pontos (-1,40%). O giro financeiro da bolsa foi de R$ 5,80 bilhões.

... A queda acumulada do índice em janeiro, de 10%, assusta o investidor menos preparado a emoções. Um dado emblemático do período de estresse pelo qual passa o mercado é o capital estrangeiro, que teve saída líquida na quarta-feira passada de R$ 1,058 bilhão. Com isso, o saldo negativo acumulado em 2008 saltou a R$ 3,362 bilhões.

... Na sexta-feira, PETROBRAS PN conseguiu reverter perdas e fechou em alta de 1,34%, a R$ 71,80, com R$ 938,617 milhões negociados. VALE PNA (+2,56%) voltou a subir, sustentada pela perspectiva de vigorosa elevação do preço do minério de ferro.

... O DÓLAR também oscilou bastante, acompanhando o humor externo, mas fechou a sexta-feira em leve baixa de 0,11%, negociado a R$ 1,785. Com alta acumulada de 2,18% na semana passada, a moeda norte-americana acabou chamando uma correção.

... No mercado da DÍVIDA, afetado pela piora no exterior, o Global-40 fechou na mínima do dia, em 134,65 cents, com queda de 0,37%. O Risco Brasil subiu dois pontos, a 250 pb.

Zona hostil

... Andando sobre teto de vidro, basta só mais um descuido para o Dow Jones perder o suporte psicológico dos 12 mil pontos. Na sexta-feira, o índice da NYSE já ficou muito perto do perigo, caindo 0,49%, para os 12.099,30 pontos. Passou a registrar a sua pior queda em quatro semanas desde o período imediatamente posterior aos ataques terroristas às torres gêmeas do World Trade Center, segundo anotou no Broadcast a jornalista Suzi Katzumata. Depois dos últimos cinco anos de ouro nas ações, analistas se mostram cada vez mais convencidos de que a tendência das bolsas tenha virado para o negativo, com oscilações próprias de um mercado de baixa (BEAR MARKET).

... No último pregão, nem só o Dow Jones, mas também o Nasdaq, que fechou em queda de 0,29%, aos 2.340,02 pontos, e também o S&P-500 (-0,6%), que recuou para os 1.325,19 pontos, furaram as mínimas em 52 semanas no intraday. O índice da bolsa de NY até chegou a tentar uma recuperação, subindo mais de 180 pontos no melhor momento do dia. Mas foi vir a decepção com BUSH para as ordens de venda voltarem.

... Econômico nas palavras, o presidente americano adiantou pouco sobre o pacote de estímulo à economia. Limitou-se a informar apenas que o plano deve ser de aproximadamente 1% do PIB dos EUA (de US$ 130 bilhões a US$ 150 bilhões), defendendo a adoção de incentivos fiscais para as empresas e um alívio fiscal "rápido e direto" para pessoas físicas, com a aprovação de medidas imediatas e temporárias.

... De concreto mesmo, não disse é nada, mantendo os negócios à mercê da volatilidade, sem saber para que lado virar. Enquanto não vem uma maior definição no cenário, o mercado se antecipa ao FED e pressiona por um forte desaperto. Faltando pouco mais de uma semana para a reunião regular de política monetária (dias 29 e 30), os futuros dos FED FUNDS elevaram de 44% para 72% a chance de que o juro chegue ao final do mês em 3,50%, o que exigiria um corte de 75 pontos. Como, em tese, é muito coisa para BERNANKE dar numa tacada só, cresce a expectativa de uma decisão de emergência.

... Para o encontro de política monetária de março (dia 18), já está dada uma taxa de 3,25%. A maior novidade é que, uma redução do juro para 3%, que até então nem era cogitada, passou a contar com uma probabilidade de 40% na última sexta-feira, quando o presidente do FED de Richmond, Jeffrey LACKER, alertou que um grande declínio nos gastos das empresas pode colocar a economia norte-americana em uma RECESSÃO e que, contra este pior cenário, "uma nova redução dos juros é bem possível".

Continua em Bom Dia Mercado

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