O Federal Reserve, o Banco Central americano, anunciou no fim da manhá o maior corte de juros desde 1984. Nessa época, as taxas de juros anuais ainda estavam a 10% ao ano, fruto da dura política monetária do então presidente Paul Volcker, que bateu duro na economia para debelar a inflação americana dos anos 70. Não por acaso, os anos 80 foram considerados a década perdida: quase todos os países emergentes (que naquela época eram considerados subdesenvolvidos) quebraram, a começar pelo México, que pediu moratória.
Também foi a primeira reunião extraordinária desde setembro de 2001, quando os atentados terroristas derrubaram o World Trade Center e atacaram o Pentágono. A reunião agendada para o dia 30 de janeiro continua marcada para essa data.
Ao reduzir as taxas em 0,75 ponto percentual, de 4,25% para 3,50% ao ano, o BC americano pretende oferecer um grande alívio para o sistema financeiro. Pretende tornar masi fácil para os bancos rolar suas enormes carteiras de dívidas problemáticas, torna mais barato emprestar mais dinheiro e impede uma quebradeira em geral do sistema bancário. Boas notícias, e que animaram o mercado: a Bolsa de São Paulo chegou a subir 5,3% e voltou ao patamar de 56 000 pontos. Vale aqui a pergunta: até quando isso vai durar?
Quem conhece bem o mercado sabe que essa decisão é sem dúvida uma boa notícia e um grande alívio para os investidores. No entanto, decisões como essas têm um sério problema: se não dão certo logo, dão muito errado.
Explicando: um corte de 0,75 ponto percentual na economia americana - onde o Fed costuma pensar em quartos de ponto percentual por trimestre - equivale a fazer em um dia o que normalmente demoraria um ano e meio para acontecer. Ou seja, é uma medida drástica. Se não for acompanhada de sinais muito nítidos de melhoria das condições bancárias e de investimento, essa decisão torna-se inócua e compromete o poder futuro do Fed de regular a economia usando o tradicional instrumento da política monetária.
Há mais: no fim da tarde desta terça-feira, era consenso dos investidores que poderia haver mais cortes de juros no dia 30 de janeiro. As apostas eram de mais 0,25 ou até mesmo mais 0,50 ponto percentual de queda. Se essa possibilidade for confirmada, o mercado financeiro de fato vai respirar aliviado com as melhores perspectivas para a economia. Se nada ocorrer (ou seja, se o Fed achar que os 0,75 ponto percentual já são mais do que suficientes) pode vir mais turbulência por aí.
O que fazer? Confira no Blog do Investidor,
onde respondo as perguntas de alguns leitores.
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