Plus500

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Balanços e indicadores elevam suspense sobre ação do Fed

... Voltaram a correr com força nos negócios nesta segunda-feira os rumores de que o FED pode promover uma reunião de emergência a qualquer momento para baixar o juro. Mas ao contrário do temor que cercou estes boatos na semana passada, ontem, o sentimento foi de alívio com uma possível decisão-surpresa. Seja como for, sob pena de induzir os mercados à volatilidade, os traders mais conservadores duvidam que o FOMC decrete qualquer medida pelos próximos dias, quando a agenda é de lascar, só com dados importantes. Mas nunca se sabe. Um operador londrino disse no Broadcast que os investidores devem ficar especialmente alertas antes da abertura das bolsas em NY.

... Quando os negócios já estiverem abertos, a preocupação extra passa aos indicadores econômicos, que já hoje começam a ganhar força. Às 11h30, é torcer para a inflação ao produtor (PPI) e o núcleo virem dentro da previsão (+0,1% para ambos) em dezembro. Senão, o papo de RECESSÃO pode mudar para ESTAGFLAÇÃO, que é ainda pior. No mesmo horário, saem ainda as VENDAS NO VAREJO, que devem cair 0,1% em dezembro e 0,2% se descontado o setor automotivo. Ainda à mesma hora, tem que conferir o EMPIRE STATE de atividade em NY, com previsão de queda para 8 em janeiro. Às 13h, saem os estoques das empresas em novembro. Aposta é de alta de 0,5%.

... Nem só a agenda de indicadores, mas também os BALANÇOS corporativos mantêm os nervos à flor da pele. No setor financeiro, quem estréia a temporada é o CITIGROUP hoje, antes da abertura dos mercados, devendo apresentar prejuízo de um dólar por ação no quarto trimestre. A expectativa é também de que o banco anuncie uma baixa contábil de US$ 24 bilhões e ainda um corte de 20 mil empregos, como parte de um plano abrangente para reduzir custos e levantar capital. Ainda nesta terça-feira, após o fechamento, a INTEL apresenta seus números, que devem vir fortes, com lucro líquido de US$ 0,40 por papel, embora alguns analistas acreditem que informará perspectiva conservadora para 2008.

AQUI, a CNI divulga esta manhã (11h) a pesquisa Indicadores Industriais, referente a novembro. Dentre os dados, o mais importante é o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), considerado a variável-chave para o cenário de política monetária em 2008. Esse é o número que ajuda os analistas a enxergarem se a indústria poderá dar conta do aumento de demanda agregada. Segundo projeção da CNI obtida com exclusividade pela jornalista Célia Froufe (AE), a produção industrial medida pelo IBGE repetirá em dezembro o desempenho mais fraco de novembro, por conta do menor número de dias úteis. Mas a tendência é de retomada do vigor a partir de janeiro.

... A perspectiva de que a atividade doméstica se mantenha aquecida, sem falar na cautela externa, têm segurado os JUROS FUTUROS em patamares mais elevados, como nesta terça-feira, em que os vencimentos mais curtos ficaram próximos da estabilidade e os longos subiram. A BOVESPA foi reduzindo o ânimo ao longo da tarde, mas ainda fechou em alta, e também o DÓLAR aproveitou a trégua em WALL STREET para cair por aqui.

Saindo pelo ladrão

... Como reflexo do ambiente de cautela, o capital estrangeiro continua saindo da BOVESPA de forma persistente. No dia 10, houve uma retirada líquida de R$ 256,633 milhões, elevando o saldo negativo acumulado no ano para R$ 1,564 bilhão. É o que em boa parte pode explicar o fato de a bolsa ter sido ontem mais conservadora que NY, preferindo não assumir grandes riscos, mesmo quando as bolsas dos EUA exibiam vigor.

... O índice à vista fechou a sessão em alta moderada de 0,40%, aos 62.187,8 pontos. Tentou emplacar um desempenho melhor pela manhã, quando bateu a máxima de 62.536 pontos (+0,96%). Mas os investidores estrangeiros não seguraram a onda e dispararam ordens de venda, o que limitou os ganhos. À tarde, o IBOVESPA testou o terreno negativo e desceu à mínima de 61.643 pontos (-0,48%). O volume somou modestos R$ 4,710 bilhões, confirmando que o apetite por negócios não anda dos melhores.

... O desempenho da bolsa só não foi mais fraco porque a VALE, que operou durante boa parte do dia em terreno negativo, ganhou força na última meia hora do pregão, com rumor de que a empresa colocou uma proposta de reajuste de 70% para o minério de ferro na mesa de negociações com as siderúrgicas chinesas, repetindo o movimento de 2005 e 2006, quando elevou o preço da commodity em 71,5%. VALE PNA subiu 0,95%, enquanto as ações ordinárias recuaram 0,18%.

... USIMINAS PNA foi a maior alta do IBOVESPA, com alta de 5,69%. A siderúrgica confirmou na sexta-feira que negocia a compra de três mineradoras em Minas Gerais, entre elas a J.MENDES, o que daria auto-suficiência em minério de ferro e ainda geraria uma receita adicional com exportações do produto, cujo preço está em alta lá fora.

... Outra big blue, PETROBRAS, recuou 0,20% (PN). A companhia divulgou comunicado informando que o consórcio formado pela estatal brasileira (com 35,15% de participação), a REPSOL YPF (41%) e a BURLINGTON RESOURCES (23,85%) descobriu uma reserva de gás localizada na província de Cuzco, no Peru. As primeiras estimativas falam em volume de 56 bilhões de metros cúbicos. A reserva possui extensão superior a 22 km.

... No câmbio, mesmo em ritmo de espera pela agenda forte de hoje nos EUA, o DÓLAR conseguiu retomar a trajetória de queda pela terceira sessão consecutiva. Fechou cotado a R$ 1,734 (-0,74%). No mercado, o comentário do dia foi a respeito da proposta levada pelos dealers de câmbio a representantes do BC para transferir o registro das transações de dólar casado da clearing da BM&F para o Sistema de Transferência de Reservas (STR), conforme relatou a jornalista Cristina Canas (AE). Por enquanto, o BC não se manifestou. Segundo se comenta, se a mudança ocorrer, é possível que a liquidez do mercado de casado seja reduzida, porque no STR as instituições financeiras têm limites para exposição a câmbio, o que não ocorre na clearing de câmbio da BM&F.

... O mercado de JUROS foi marcado pelo baixo volume de negócios, o que comprova a pouca disposição dos players em assumir riscos, em uma semana com tantos eventos pesados no exterior e, em menor grau, aqui também. O giro no mercado de DIs ficou bem abaixo do normal, mesmo para uma segunda-feira. Para se ter uma idéia, o DI janeiro de 2010 (subiu a 12,74%, de 12,72%) foi o único com volume superior a 100 mil contratos.

... Além da grande expectativa com os números lá de fora, o mercado segue inibido pelos sinais de aquecimento econômico local e inflação elevada. Ontem, o IBGE informou que o emprego industrial cresceu 0,3% em novembro em relação a outubro. Na comparação com novembro de 2006, a expansão foi de 3,9%, a maior desde dezembro de 2004 (4,1%). No acumulado de janeiro a novembro, o emprego cresceu 2,1%, que já representa o maior aumento anual na série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2002.

... Os números do emprego industrial apontam para uma aceleração no primeiro semestre de 2008, segundo avalia o consultor do IEDI Júlio Sérgio Gomes de ALMEIDA. "Se não mudar muito o quadro atual, e ele só mudaria por algum fato grave, como mudança na política monetária, estamos com o crescimento do emprego engrenado", afirmou.

... No mercado da DÍVIDA, o Global-40 voltou a subir e fechou na máxima, a 135,35 cents, com o Risco Brasil em queda de um pontinho, para 230 pontos-base.

O buraco é mais embaixo

... Até bem pouco tempo atrás, eram minoria no mercado os que estavam convencidos de que o FED poderia dar uma demonstração de ousadia em janeiro, baixando o juro em 50 pontos-base. Agora, entre os contratos futuros dos FED FUNDS, não só um corte de meio ponto no juro americano, para 3,75%, já tem 100% das apostas, como tem crescido (de 35% para 44%) a chance de a taxa chegar até o final do mês em 3,50%, o que embute uma redução de 75 pontos base, que viria ou na reunião oficial de política monetária (dias 29 e 30) ou mesmo antes disso, como vem se especulando desde a última sexta-feira.

... Nos TREASURIES, os investidores não param de derrubar as taxas, com o juro da NOTE de dez anos projetando 3,778%, contra 3,797% no fechamento anterior.

... Nas bolsas em WALL STREET, ao invés de intimidar, a possibilidade de uma ação mais drástica do FED foi ontem bem recebida, com o mercado de boa vontade, apesar das indicações de que a crise pode ser mais grave do que se imaginava até agora. Também animou o fato de a IBM (+5,4%) ter antecipado seu balanço, com lucro preliminar forte, de US$ 2,80 por ação no quarto trimestre, acima da previsão (US$ 2,60) dos analistas. A companhia disse que dará mais detalhes sobre seu desempenho na quinta-feira.

Continua em Bom Dia Mercado

Nenhum comentário: