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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Bom momento para investir na renda fixa

O Banco Central pergunta, sistematicamente, aos bancos quais as expectativas deles para os indicadores mas importantes da economia: juros, dólar, inflação e crescimento econômico. Os resultados são divulgados todas as segundas-feiras, e são importantes para sinalizar ao mercado como está o sentimento dos investidores.

A Focus divulgada no início desta segunda-feira, dia 14 de janeiro, mostra um salto nos prognósticos para os juros no fim de 2008. Na pesquisa anterior, a estimativa era de que a taxa referencial Selic estaria em 10,75% em dezembro. Agora, essa estimativa saltou para 11,13% um aumento de 0,38 ponto percentual. É a mesma alíquota da finada e não-saudosa CPMF, mas isso tende a ser uma coincidência.

A variação das estimativas é um dos mais amplos e mais rápidos aumentos de juros já registrados pela Focus, e mostra a deterioração do mercado com relação à inflação. O IPCA de 2007 foi de 4,46%, raspando nos 4,5% de meta; com o aumento de mais de 7% no IGP-M do ano passado e a forte pressão de alta dos alimentos, a expectativa dos investidores é que o Banco Central terá de manter os juros estáveis nos atuais 11,25% ao ano por mais tempo do que se imaginava há algumas semanas. Não por acaso, os contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2009 indicam juros de 12,04%.

Moral da história: é um bom momento para investir na renda fixa, tanto em títulos públicos como as LTN quanto em papéis privados de bancos e de empresas.

Blog do Investidor

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado Claudio,

sempre acompanho seus comentários, e gostaria de parabenizá-lo pelas abordagens feitas sempre com bastante propriedade.

Acho que este texto faz sentido, mas peca, talvez por uma questão de nomenclatura, no final. Se a tendência de queda nos juros predominava, fazia sentido que as aplicações em RF (prefixados) fossem bem exploradas como diversificação da carteira, e para distribuir o patrimônio excedente ao capital investido na Bolsa de Valores - que foi a campeã de rentabiidade nestes últimos anos. Na contra-mão dos EUA, reduzimos nossa taxa aos atuais 11,25% (que representam juros reais de um dígito).

Lembro ter comprado LTNs a 22,5% aa. Até um determinado momento elas ainda estavam bastante atrativas. Houve um momento em que os títulos americanos passaram a pagar menos e, com o problema das hipotecas - que levou à crise de crédito, a redução do Fed Funds Rate aumentou o atrativo por papéis de emergentes que ainda pagavam bons juros.

A enxurrada de dolares apreciou demais o Real, e talvez sejamos (o Brasil) um dos maiores tomadores de dolar atualmente, uma moeda em queda que pode vir a perder seu status como valor de referência nas transações comerciais. Certo que praticamente zeramos a dívida externa e também aumentamos bastante nossas reservas, mas será que estamos comprando um mico? Hoje, quando nós chegamos a um ponto em que a inflação parou de baixar, e já começa a subir, diminuem os ganhos reais das aplicações de baixo risco.

Portanto, neste momento, não seria mais "seguro" aplicar em títulos pós-fixados, seja do Tesouro, CDBs ou até em debêntures de boas empresas, que acompanhariam a variação da Selic e não sofrem incidência da taxa de administração, come-cotas, e outros custos característicos dos fundos oferecidos pelos bancos.

Não podemos afirmar mas até a poupança livre de IR) pode ser melhor do que RF, apesar da TR ser um outro indexador de cálculo duvidoso, apenas os 6% aa podem ser mais do que as LTNs vão remunerar no vencimento em termos reais. O papel para vencimento em jan2010 está pagando 12,76%, tirandio 15% de imposto e descontando a inflação do período, em quanto o capital será majorado além da correção? As NTNBs pagam juros sobre o IPCA... o IGPM (da series C) nem mais tem sido colocados nomercado. Vão jogar para perder?

A hora é de acompanhar a taxa de juros e não ficar amarrado na torcida por mais cortes na Selic. Abs ^v^