... Presenciaram quase que um milagre os investidores nesta terça-feira, quando mesmo dando tudo errado em NY, aqui deu tudo certo, com a BOVESPA operando em alta durante tempo integral e recuperando a marca dos 62 mil pontos. Quem carregou a bolsa nas costas foi a PETROBRAS, recuperando boa parte das perdas que vinha acumulando desde o início do ano. O anúncio de recompra de ação feito por uma subsidiária da estatal, além da notícia de que a companhia petrolífera voltou ao mercado com a reabertura de uma emissão, garantiram o espetáculo à parte. Já tem gente dizendo que é o início da volta do investidor estrangeiro. Só que as coisas vão ter que melhorar em WALL STREET, porque não é para sempre que uma filial pode viver desgarrada da matriz.
... Por lá, a ALCOA abre hoje a temporada de balanços do quarto trimestre. A expectativa é de que, após o fechamento dos negócios, a maior fabricante de alumínio do mundo registre um lucro de US$ 0,45 por ação, refletindo o impacto da queda nos preços dos metais e o enfraquecimento do dólar. Deve puxar uma fila de resultados mais fracos.
... Do lado dos indicadores, às 10h, sai o índice semanal de HIPOTECAS da Mortgage Bankers Association (MBA). Na parte da tarde, às 13h30, é a vez dos ESTOQUES DE PETRÓLEO, com previsão de queda do óleo bruto (-800 mil) e dos destilados (-300 mil), mas elevação das reservas de gasolina, em 1,6 milhão de barris. Ainda nesta quarta-feira (12h30), fala o FED boy William POOLE, sobre educação em economia e finanças.
AQUI, não há dados econômicos relevantes previstos para hoje. Está agendada apenas a divulgação do ICV-DIEESE de dezembro. Em novembro, o índice teve alta de 0,28%.
... A alta da INFLAÇÃO ainda segura qualquer disposição maior de queda dos JUROS FUTUROS, inseguros sobre os próximos passos do COPOM. No câmbio, o DÓLAR caiu nesta terça-feira, valendo-se do otimismo na bolsa, que garante o fluxo. É por essas e outras que, mesmo com os níveis confortáveis das reservas internacionais, próximos de US$ 190 bilhões, integrantes da equipe econômica revelaram no Broadcast que o BC manterá as compras de moeda no mercado à vista para evitar um UNDERSHOOTING.
INVESTMENT GRADE. No início da noite, a diretora de rating soberano da S&P, Lisa SCHINELLER, afirmou à AE que a intenção do governo de utilizar o Projeto Piloto de Investimento Público (PPI) para compensar a redução de R$ 40 bilhões das receitas da CPMF não significa que, necessariamente, o processo de melhora do rating seja adiado.
Só deu ela
... O mercado externo titubeou, mas a PETROBRAS mostrou um vigor surpreendente e sustentou o bom desempenho do IBOVESPA. O pregão começou com todo o jeito de ser mais um daqueles bem cautelosos, de olho na volatilidade que vem mandando tudo em NY. Mas eis que veio uma onda compradora, que se fortaleceu no fim do dia e impulsionou os papéis da petrolífera, descolando de vez a bolsa paulista de WALL STREET.
... As ações da estatal chegaram a subir 8,10% (ON) e 7,08% (PN) no melhor momento do dia e sustentaram grande parte dos ganhos até o fim: 6,02% para os papéis ordinários e 5,49% para as ações preferenciais. Deu uma contribuição e tanto para a alta do IBOVESPA, de 2,15%, aos 62.080,7 pontos. Ontem, o índice não tocou o terreno negativo nem por um minuto sequer. Oscilou entre a mínima de 60.771 pontos (estabilidade) e a máxima de 62.650 pontos (+3,09%), com volume financeiro de R$ 5,379 bilhões.
... No mercado, profissionais tentavam encontrar explicações para esse fôlego renovado da blue chip. Além da alta do petróleo (abaixo), à noite, a DJ confirmou que a subsidiária PETROBRAS INTERNATIONAL FIN. está no mercado com a reabertura de uma emissão de US$ 750 milhões em bônus de dez anos. Segundo fontes, o cupom (juro nominal) ficou em 5,875% e o preço, em 100,113% do valor de face, com rendimento para o investidor (yield) de 5,86%. Além desta operação, foi apontado como justificativa para os ganhos da companhia o desempenho das ações de sua subsidiária PETROBRAS ENERGIA, que dispararam cerca de 15% em Buenos Aires por conta das especulações de que a holding irá comprar os 40% de participação que ainda não possui na empresa argentina.
... Segundo anotou a jornalista Ana Paula Ragazzi (Empresas e Setores), como a forte pressão vendedora aparentemente se inverteu ontem, existe a expectativa de que a movimentação possa representar uma realocação de investidores estrangeiros no Brasil. Tomara seja isso mesmo, porque a bolsa voltou a informar uma fuga em massa do capital externo no último dia 4, quando mais R$ 200,202 milhões deixaram a BOVESPA.
Continua em Bom Dia Mercado
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