A melhor maneira de explicar o que está acontecendo com a economia americana é fazer uma comparação com uma família que mora há décadas em um mesmo imóvel. A casa aparentemente é sólida - afinal, ela está resistindo desde os tempos em que a bisavó pulava corda descalça na rua - mas, de repente e sem aviso prévio, o teto de um dos quartos desaba, machucando levemente quem dormia lá. Nada sério, nenhuma tragédia; mas é o suficiente para fazer todos correrem para fora de casa quando ocorre qualquer estalar do assoalho.
O caso americano é semelhante. Desde o início dos anos 80, a economia dos Estados Unidos vinha dando sinais de crescimento ininterrupto, sem nenhum sinal de problema. Os problemas, quando ocorriam, eram provocados pelo excesso de crescimento. De repente, um dos quartos - o financiamento imobiliário - desabou fragorosamente, deixando muitos feridos. O temor de a economia "desabar" em um abrupto desaquecimento era nulo, mas agora passou a ser mais ou menos provável.
A questão é, justamente, esse "mais ou menos". Como só é possível intuir o que está acontecendo a partir dos indicadores econômicos, qualquer número ruim tem consequências muito drásticas e provoca uma reação violenta do mercado. Caso, por exemplo, do nível de desemprego de dezembro divulgado no início da tarde.
As expectativas eram da criação de 18 mil novos postos de trabalho em dezembro, ante expectativas de 50 mil novas vagas. A taxa de desemprego subiu para 5%, acima das previsões de alta a 4,8%.
Os dados atingiram em cheio os mercados acionários nos Estados Unidos e na Europa, e o Brasil não escapou ileso. Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo indicava uma queda de 3,5% no início da tarde, a 60 700 pontos.
Essa turbulência e as reações exageradas a qualquer indicador vão continuar, enquanto o mercado não estiver convencido de que a casa é sólida - ou seja, de que a economia americana não vai desabar em uma pesada recessão. Até lá, a ordem é apertar os cintos: vem mais solavanco por aí.
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