... Para não perder nenhum lance hoje do depoimento de Ben BERNANKE, às 13h, muita gente deve preferir almoçar na mesa do escritório mesmo, mandando vender ou comprar, dependendo do que ele disser. O presidente do FED deporá ao Comitê de Orçamento da Câmara, em Washington, sobre as condições da economia norte-americana, para ver como promete este depoimento. Há quem acredite que ele possa optar pela neutralidade, evitando se comprometer com a indicação do tamanho do corte de juro que ainda virá neste mês, numa estratégia para tentar assegurar menor volatilidade aos negócios.
... Mas, escolado como o mercado é, sabe o quanto este FED gosta de jogar com a imprevisibilidade. E tem outra: depois de BERNANKE ter prometido em discurso na semana passada reduções "substanciais" do juro, se necessárias, diante dos riscos de desaceleração "mais pronunciados” da economia dos EUA, os investidores podem estranhar se ele vier mais econômico nas palavras. Resumindo, vai ter que ter muito jogo de cintura o presidente do FED, se não quiser ver o circo pegar fogo (de novo) em NY.
... Na expectativa do depoimento, o mercado procurou nem se animar tanto ontem com o LIVRO BEGE mais light, que longe de apontar uma RECESSÃO, limitou-se à referência a um "ritmo mais lento" de crescimento da economia. "Se estivéssemos numa cápsula do tempo e lêssemos este documento, não pensaríamos que eles (FED boys) poderiam cortar (o juro) 0,50 ponto porcentual", disse na agência Dow Jones o economista Mike FEROLI (do JP MORGAN). No entanto, "entre BERNANKE e o LIVRO BEGE, eu fico com BERNANKE", disse ele, que espera redução de meio ponto no juro na reunião do dia 30.
... Além do presidente, outros três dirigentes do FED falam hoje: Sandra PIANALTO (11h15), Richard FISHER (14h45), além de Dennis LOCKHART, às 16h15.
... Outro foco de perigo vem dos BALANÇOS, com destaque para os resultados do MERRILL LYNCH, que já no terceiro trimestre havia registrado perdas de US$ 2,24 bilhões e que pode vir ainda pior, com uma baixa contábil acima dos US$ 8,4 bilhões nos últimos três meses de 2007, segundo especula o mercado. A média das estimativas aponta para um prejuízo trimestral de US$ 4,57 por ação. Também saem os números do BANK OF NEW YORK (previsão de lucro de US$ 0,69/papel) e do BLACKROCK (lucro de US$ 2,11). Depois do fechamento, tem o WASHINGTON MUTUAL (prejuízo de US$ 1,20).
... Fora do front financeiro, está reservada para hoje a divulgação oficial dos resultados da IBM, que apresentou números preliminares positivos na última segunda-feira.
... Da agenda dos indicadores, algum risco, se vier, será do dado das CONSTRUÇÕES de residências iniciadas em dezembro, que deve cair 5%. Sai às 11h30, juntamente com o AUXÍLIO-DESEMPREGO, com previsão de alta de 18 mil pedidos. Às 13h, tem o índice de atividade industrial do FED da FILADÉLFIA no mês de janeiro. A estimativa é de -1,5.
AQUI, não há nada previsto. O que preocupa é a sangria desatada do capital estrangeiro da BOVESPA, que levou o mercado doméstico a ter um desempenho muito inferior a NY ontem, com a bolsa de volta aos 58 mil pontos, prejudicada pela queda das commodities. O que consola é que parte do dinheiro dos investidores externos pode estar operando nos JUROS FUTUROS, às vésperas da reunião do COPOM, na semana que vem (dia 23).
... Em Brasília, o senador Edison LOBÃO (PMDB-MA) foi confirmado para o Ministério de Minas e Energia. Ele toma posse na segunda-feira, descartando risco de APAGÃO.
Smart money
... Enquanto a BOVESPA beirava um ataque de nervos, os JUROS FUTUROS mostravam relativa tranqüilidade. As taxas subiram ontem, mas pouco perto do estrago na bolsa. A explicação e que, diante da perspectiva de corte de juro nos EUA e com tantos números sobre a economia local tornando possível a aposta em alta da SELIC, o ganho de arbitragem aumentou. E os investidores, especialmente os estrangeiros, os mais rápidos na identificação desse tipo de oportunidade, correm para vender DIs. Foi esse movimento que limitou a alta das taxas ontem e derrubou as taxas na última terça-feira.
... Há ainda outros argumentos para a alta modesta dos juros ontem. Um deles é que, se os EUA vão mesmo caminhar para um quadro recessivo, o preço das commodities (agrícolas, metálicas e do petróleo) tendem a cair. Como são justamente esses itens que pressionam a inflação local, a queda desses preços pode representar um cenário melhor para os índices de preço aqui. Mas é claro que essa leitura dificilmente servirá de alívio aos ânimos do mercado se, de fato, o quadro na economia norte-americana se agravar.
... O DI janeiro de 2010 encerrou em 12,76% (de 12,71%), após, na máxima, ter batido 12,81%. O DI janeiro de 2009 fechou estável em 11,99% (de 11,98%).
... Somente os números de atividade que estão sendo divulgados estes dias seriam suficientes para uma alta ainda mais forte nas taxas, não fossem as questões técnicas, que têm amenizado esse movimento. As VENDAS NO VAREJO em novembro conseguiram surpreender, com crescimento de 1,6% na margem, na série com ajuste sazonal, acima do teto das estimativas (+1,4%). Na comparação com novembro de 2006, houve expansão de 9,9%, também superando as previsões (7,8% a 9,8%). O índice de média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência, subiu 1% no trimestre encerrado em novembro, contra alta de 0,8% no trimestre encerrado em outubro.
... Esses dados, combinados com o NUCI da CNI, que atingiu o nível recorde de 82,9% em novembro, ampliam o risco de descompasso entre OFERTA e DEMANDA.
Continua em Bom Dia Mercado
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