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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Juros prometem abrir em queda com ajuste ao pacote fiscal

... Passava das 15h, quando a assessoria da Fazenda chamou coletiva do ministro MANTEGA para pouco mais de uma hora depois. Surpreendido, o mercado conheceu logo no primeiro pregão do ano o pacote de medidas fiscais, que segundo disse um interlocutor do governo à AE, teve o anúncio antecipado, para tentar minimizar as perdas provocadas pelo fim da CPMF. Dizendo-se traída, a oposição já desde ontem prometeu dar o troco, impedindo a votação do Orçamento, a partir de fevereiro, quando o Congresso retorna do recesso parlamentar, o que promete manter a temperatura elevada em Brasília.

... Apesar do desconforto político diante da previsão de que a ala oposicionista não vai deixar barato e da elevação dos impostos para o setor financeiro, que repercutiu mal na bolsa (abaixo), a manutenção dos compromissos fiscais deve garantir um cenário econômico positivo, já que o governo garante maior arrecadação e atua na restrição da oferta de crédito na economia, uma das preocupações do BC no controle da inflação. “O governo matou dois coelhos com uma só cajadada”, disse fonte para Beatriz Abreu.

... Trocando em miúdos, o plano fiscal pode e muito facilitar a vida do COPOM, evitando até onde der a necessidade de uma alta da SELIC. Já fechados à hora do anúncio do pacote, os JUROS FUTUROS deixaram para a sessão eletrônica a repercussão positiva. Somente os operadores da BOVESPA ainda estavam com a mão na massa no momento da coletiva. O ajuste de peso vem mesmo só hoje. E não só por causa do pacote de medidas fiscais, mas também porque a ATA DO FOMC saiu no final da tarde.

... Apesar de o FED ter sinalizado com novos cortes no juro, o tom do documento deixou bem claro que é a feia a coisa em NY, com a crise do SUBPRIME. Em WALL STREET, as bolsas tiveram ontem seu pior desempenho num primeiro pregão do ano em toda a história. Ainda veio fraco o ISM de atividade, dando um baque nos investidores e reeditando os temores de que a economia americana esteja à beira do precipício.

... Cresce, assim, a expectativa para os indicadores que vêm aí. Abrindo o dia, às 10h, sai o índice semanal de HIPOTECAS da Mortgage Bankers Association. Maior suspense fica para o que vem em seguida (11h15): a pesquisa ADP/Macroeconomic Advisors sobre os postos de trabalho criados no setor privado em dezembro, que pode antecipar o PAYROLL de amanhã (sexta-feira). Às 11h30, saem o auxílio-desemprego, com previsão de queda de 4 mil pedidos na semana passada, e as encomendas à indústria em novembro (+0,4%).

... Mais importante ainda pode ser observar os ESTOQUES DE PETRÓLEO, às 13h30, depois de o barril ter tocado a marca “mítica” dos cem dólares, como disse um economista em NY. Olha que ainda pode ir mais longe na sua arrancada, se as reservas, que já estão nos menores níveis em três anos, prosseguirem em queda. Para hoje, a expectativa é de que o óleo bruto caia em 1,8 milhão de barris, o que marcaria o sétimo recuo consecutivo. Os destilados também devem cair (-300 mil) e a gasolina subir (+1,6 milhão de barris).

... Da agenda doméstica, não vem perigo. Somente o mercado de câmbio poderá ter motivos para oscilar, se os dados do FLUXO CAMBIAL, prometidos para as 12h30, mostrarem algo fora do previsto. Pouco provável. Até o último dia 14, estava positivo em US$ 87,027, com alta de 133,50% sobre o resultado de todo o ano de 2006 (US$ 37,270 bilhões). Junto deve ser anunciada a posição cambial dos bancos no final do ano.

Bolsa paga o pato

... É muito positivo o fato de o governo ter reafirmado com o pacote fiscal o compromisso com o equilíbrio fiscal e o cumprimento da meta do SUPERÁVIT PRIMÁRIO. Apesar disso, em alguém teria que recair o ônus maior da compensação da perda da CPMF e foi sobre o setor financeiro, o que levou a BOVESPA, que já sofria com a deterioração do cenário externo no primeiro dia útil de 2008, a acentuar as perdas, depois que o ministro MANTEGA enumerou a alta de impostos que ajudará a suprir a falta dos R$ 40 bilhões.

... Mas é aquilo: depois de um impacto inicial negativo sobre o mercado de ações, a expectativa de grande parte dos analistas é de uma acomodação às medidas que, no final das contas, foram qualificadas como favoráveis ao cenário macroeconômico. Subirá o IOF sobre operações de crédito, seguros e de câmbio (em 0,38 ponto porcentual) e para operações de pessoa física (de 0,0041% para 0,0082% o diário e para 1,5% o anual).

... Será elevada também a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro (9% para 15%), medida que arrasou com as ações dos bancos. No fechamento da bolsa, BRADESCO PN acusava queda de 5,20%, UNIBANCO UNITS, baixa de 4,78%, ITAÚ PN recuava 4,31% e ITAÚSA PN perdia 3,83%.

... A expectativa do governo é de arrecadar R$ 8 bilhões com as mudanças do IOF e outros R$ 2 bilhões com aumento do CSLL. Mais R$ 20 bilhões virão dos cortes com despesas de custeio e investimento dos três poderes. Os R$ 10 bilhões que faltam para fechar a conta, o governo espera conseguir com o crescimento da receita, decorrente da expansão do PIB. Se não ocorrer, a promessa é de passar mais o facão nas despesas.

... Em boa parte por causa de NY e ainda pelo pacote fiscal, o IBOVESPA encerrou com desvalorização de 1,68%, aos 62.815 pontos, com volume financeiro de R$ 4,5 bilhões. Segundo analistas consultados no Broadcast pela jornalista Sueli Campo, os próximos níveis de suporte do índice à vista podem estar em 62.300 pontos e depois 60 mil. Apesar desse entrada decepcionante em 2008, os analistas não perderam a fé e o otimismo na bolsa, que tem mesmo que realizar lucros, após subir mais de 43% no ano passado.

... No bloco positivo da bolsa, CESP PNB se sustentou em alta o tempo todo, para encerrar o pregão com ganho de 5,39%. A Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo informou que fará audiência pública no dia 15 sobre a venda de participação do governo na empresa, reforçando a percepção de que a privatização ocorra até março.

... Nos JUROS FUTUROS, o comportamento do after market sinalizou boa receptividade dos investidores ao pacote do governo. No pregão regular, o DI de janeiro de 2009 cedeu a 12,03% (de 12,08%). No eletrônico, já estava abaixo de 12%, a 11,97%. O vencimento de janeiro de 2010 caiu de 12,81% para 12,77% e foi para 12,67% no after. Já o janeiro de 2012, que subiu de 12,90% para 12,94% no regular, caiu a 12,84% no eletrônico.

... No câmbio, o DÓLAR fechou em leve baixa de 0,17%, cotado a R$ 1,772. Hoje, a repercussão da agenda externa e os impactos das medidas de compensação à falta da CPMF deverão ser permeados pelos vaivéns determinados pelo fluxo. Ontem, principalmente no período da manhã, surpreenderam as entradas de recursos concentradas no segmento comercial. Merece registro o resultado da BALANÇA COMERCIAL de 2007, de US$ 40,039 bilhões, superando as melhores expectativas.

... No mercado da DÍVIDA, o Risco Brasil, em alta de seis pontos-base, a 227 pb, embutiu os riscos de uma recessão mundial. Mas o Global-40 subiu para 134 centavos de dólar no final da tarde, com a liquidez reduzida provavelmente distorcendo a cotação.

Entregou o ouro

... É verdade que o FED não disse com todas as letras que o juro VAI continuar caindo nos EUA. Mas a ATA disse que PODE seguir em queda, o que é quase a mesma coisa. O texto, referente à reunião de política monetária realizada em 11 de dezembro, disse que os FOMC boys admitiram no encontro que a terceira redução consecutiva na taxa poderia não ser a última do ciclo, diante de um cenário em que o aperto contínuo do crédito, a deterioração do mercado de moradias e os preços mais elevados da gasolina começam a afetar os gastos dos consumidores, em que foi observada uma "desaceleração notável".

... Foram até mais longe alguns integrantes do comitê, falando em um “ciclo vicioso”, que poderia exigir "um afrouxamento adicional SUBSTANCIAL da política monetária". Se o FED vai mesmo elevar a dose da queda do juro, é o que ainda se verá. Certo é que, entre os contratos futuros dos FED FUNDS, subiu de 92% para 100% a probabilidade de que venha um novo desaperto de 25 pontos, para 4%, na primeira reunião de 2008, nos próximos dias 29 e 30. Mesmo porque, como a própria ata admitiu, a inflação "deverá se desacelerar mais substancialmente a partir de seu nível atualmente elevado".

... Mas não é de hoje que as pressões inflacionárias vêm em segundo plano, porque ninguém duvida que o que está mandando tudo nos últimos veredictos do FED são os perigos de que a atividade econômica norte-americana evolua para uma RECESSÃO. Foi por isso que não poderia ter caído pior sobre os negócios nesta quarta-feira a desaceleração do ISM para 47,7 em dezembro, abaixo das projeções (51) e do nível de 50, o que indica contração da atividade. Foi a primeira queda do índice após dez meses seguidos de altas, levando o indicador ao menor patamar desde abril de 2003.

... O economista Nigel GAULT, da GLOBAL INSIGHT, observou na agência Dow Jones que "isso ainda não é sinal de RECESSÃO, o que exigiria um índice do ISM na faixa dos 40 a 45. Mas claramente o resultado move para cima os riscos de uma recessão".

Continua em Bom Dia Mercado

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