... Tateando no escuro, em NY, as bolsas não sentem confiança para retomar os ganhos, enquanto os temores de RECESSÃO continuam ameaçando a rotina dos negócios. É por isso que, mesmo ontem, um dia mais tranqüilo para os negócios, sem indicadores nem eventos importantes, o que mais uma vez predominou foi a cautela, que tão cedo não deve sumir de cena. Como sem NY, aqui também não anda, a BOVESPA fechou em queda, pressionada ainda pela ameaça de que a conquista do INVESTMENT GRADE, até agora dada como apenas uma questão de tempo, acabe adiada para ninguém sabe quando.
... Vinhas tranqüilos da vida os investidores com a garantia do presidente LULA e de sua equipe de que o SUPERÁVIT PRIMÁRIO seria preservado. É de se imaginar o susto que tomaram ao ler no jornal a declaração do ministro Paulo BERNARDO (Planejamento) de que aumentou a probabilidade de o governo usar em 2008 a prerrogativa de abater do superávit os investimentos realizados no Projeto Piloto de Investimentos Públicos (PPI). Com uma história dessa, o mercado perde o grande trunfo que segurava as apostas num UPGRADE e nas melhores expectativas para a economia doméstica este ano.
... De seu lado, as agências de risco reconheceram ao repórter Ricardo Leopoldo (AE) que o objetivo do governo de reduzir a meta de superávit primário de 2008 em 0,5 pp para compensar a perda da CPMF não ajuda, só atrapalha os planos de melhora do RATING.
... Não vem em boa hora esta dúvida agora sobre a nota do Brasil, num momento de indefinição do cenário externo e ainda da volta das ameaças da INFLAÇÃO por aqui. Entre os analistas consultados pelos jornalistas Célia Froufe e Flávio Leonel, cresce a sensação de que o BC terá mais trabalho este ano para manter o IPCA abaixo do centro da meta e que, por tabela, a taxa SELIC poderá demorar mais tempo para cair.
... Agora cedo, às 8h, a FGV divulga o primeiro índice de inflação do ano, com a prévia do IPC-S, que deve subir entre 0,77% e 0,96% (com mediana em 0,88%), segundo o AE Projeções. Ainda hoje, no mesmo horário, sai o IGP-DI fechado de dezembro, com expectativa de desaceleração para algo entre 1,35% e 1,70% (mediana em 1,51%).
... Nos EUA, agenda de hoje prevê as vendas pendentes de IMÓVEIS residenciais em novembro (13h), que não deve sofrer variação, além das vendas semanais do comércio varejista, medidas pela pesquisa Redbook e com potencial reduzido de influenciar.
... Ainda dois FED boys falam nesta terça-feira: Charles PLOSSER (Filadélfia), às 11h20, sobre as perspectivas da economia, e Eric ROSENGREN (Boston), às 13h50.
Bye bye
... Não bastasse o fantasma da recessão nos EUA para assombrar os mercados e manter os investidores na retranca, ainda o desconforto com a INFLAÇÃO por aqui e agora também as incertezas sobre a conquista do INVESTMENT GRADE, ajudam a patrocinar uma fuga do capital estrangeiro. As estatísticas mostram que os investidores externos continuam saindo da BOVESPA, num comportamento típico dos momentos de aversão ao risco. No dia 3 de janeiro, quinta-feira da semana passada, a bolsa registrou saída líquida de R$ 23,901 milhões. O saldo acumulado no ano é negativo em R$ 105,748 milhões nos dois primeiros pregões de 2008. Em 2007, também foi negativo (R$ 4,235 bilhões).
Continua em Bom Dia Mercado
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