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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O grau de investimento vem mesmo sem CPMF?

O leitor Luiz Fernando Ávila enviou uma interessante pergunta: com a perda da CPMF, será que o grau de investimento vem mesmo?

Meu caro Luiz Fernando, o grau de investimento não mede a qualidade de vida em um país. Ele não avalia se as ruas são seguras, se as escolas são boas ou se o sistema público de saúde funciona. É uma avaliação puramente financeira: busca responder à pergunta "se eu emprestar dinheiro para esse país, qual a possibilidade de ele dar um calote?" Os profissionais que atribuem os graus de risco a determinados países seguem manuais rígidos de procedimento e olham basicamente os números.

Há sete anos, em 2001, eu entrevistei um diretor internacional de uma agência de classificação de risco e perguntei - não sem uma certa dose de orgulho patriótico ferido - como o risco do Brasil poderia estar três níveis abaixo do risco da Colômbia, então em um dos piores momentos de ataque pelas Farc. O gringo nem piscou. "Nossa avaliação não quer dizer que morar na Colômbia é melhor do que morar no Brasil, apenas quer dizer que há mais chance de ela pagar suas dívidas. E não se esqueça que a Colômbia nunca deixou de pagar sua dívida, e o Brasil fez uma moratória da dívida em 1983 e outra em 1987".

Ou seja, na ponta do lápis, os profisisonais das agências de classificação de risco olham apenas se o Brasil terá como pagar sua dívida interna e externa. O que vai definir isso é a acumulação de reservas internacionais brasileiras, que hoje superam 180 bilhões de dólares. Mais alguns bilhões e o país se tornará um credor líquido - ou seja, terá mais dólares em caixa do que os que deve. Isso vai facilitar, e muito, a obtenção do grau de investimento.

E a questão da CPMF? Feitas as primeiras contas, o que os especialistas perceberam é que em alguns casos - como os financiamentos de automóveis - o devedor vai pagar um Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) DEZ VEZES maior do que pagava de CPMF.

Uma simulação feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) no caso do financiamento de veículos mostra bem isso. Quem financiar um veículo de 25 mil reais por 5 anos com juros de 2% ao mês vai economizar 168 reais de CPMF. No entanto, como o IOF dobrou de 1,5% para 3%, o valor total financiado vai crescer 1.388 reais. Moral da história, o Leão vai morder 1.220 reais a mais do cliente.

O próprio governo diz que a base de arrecadação do IOF é apenas 25% da base de arrecadação da CPMF, mas, nessa proporção, os 40 bilhões perdidos por ano serão obtidos com folga. Provavelmente as agências de classificação vão esperar para ver os primeiros números fiscais, o que deve atrasar um pouco o processo, mas é grande a possibilidade de que as perspectivas atuais não mudem.

Portanto, Luiz Fernando, é bem provável que o grau de investimento saia, no máximo, no segundo semestre deste ano.

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