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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O que se diz e o que se faz

Há alguns meses atrás o banco central americano afirmava, incorretamente, que o problema no setor de crédito imobiliário envolvia apenas os pobrinhos, o tal segmento subprime, palavra que, mais tarde, acabaria incorporada ao vocabulário financeiro corrente como razão de tudo que estava acontecendo.

Àquela época, o Federal Reserve, ao mesmo tempo em que afirmava o mantra do "crescimento com pouso suave", também estava promovendo uma ampla campanha de promoção de liquidez ao sistema financeiro.

Aparentemente, os tempos tem sido outros nesse momento.

Muito embora Bernanke e cia. tenham anunciado algumas medidas extraordinárias para estender mais crédito aos seus clientes banqueiros e prometido ampla liquidez, o FED parece ter diminuído consideravelmente a "boa vontade" no mercado aberto de operações temporárias, conhecido por "repo".

O gráfico abaixo mede qual o percentual dos pedidos de empréstimos, via repo´s, o banco central americano atendeu nos últimos meses:

Note como em janeiro atual (posição 10) e dezembro do ano passado (posição 9), meses em que os bancos mais precisaram de cash, o banco central atendeu menos pedidos, levando nesse momento a média para baixo de 15%.

Prova de que a liquidez não está sendo "farta", mas sim está em falta, foram os acordos realizados por alguns bancos para buscar capital fora dos Estados Unidos. No começo de dezembro, o Citibank vendeu uma parte de seu capital para o governo de Abu Dhabi, pagando juros de 11% ao ano, uma remuneração encontrada somente em papéis de nível junk. Essa semana, após anunciarem um prejuízo de US$ 17 bi, informaram que pretendem captar, ou melhor, vender mais 15 bi de dólares em ações preferenciais.

Terça-feira, dia 15, foi a vez do banco Merril Lynch anunciar estratégia semelhante: conseguiram US$ 6,6 bi com o governo do Kuwait e com um grupo financeiro japonês. Pagarão 9% ao ano de dividendos sobre o montante e transformação os 6,6 bi em ações preferenciais dentro de pouco mais de 2 anos.

Ora, se a liquidez é farta, como dizem os bancos centrais, porque o Citi e a Merril foram negociar vendas disfarçadas de empréstimo no Oriente Médio pagando respectivamente 11% e 9% ao ano, quando o Federal Reserve está emprestando no mercado aberto de curto prazo a menos de 4,5%?

Continua em Cinco Pesos de Dois Quilos

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