... Não adiantou BERNANKE repetir a promessa de um possível corte “substancial” no juro americano, porque NY respondeu com forte queda nas bolsas, em sinal de que já não se contenta com mais do mesmo. Ao que tudo indica, vai botar maior pressão daqui para frente, ampliar as exigências, cobrando estímulos de todos os lados para tentar salvar a economia americana de um colapso, agora que sentiu o drama da crise. Com os negócios fazendo de tudo para precipitar um socorro, o presidente BUSH marcou para hoje o anúncio dos detalhes de seu plano econômico para impulsionar a atividade nos EUA.
... No discurso de ontem, o presidente do FED considerou razoável um pacote de estímulo fiscal entre US$ 50 bilhões e US$ 150 bilhões, embora tenha defendido que qualquer medida neste sentido deva ser temporária, para não comprometer os compromissos de longo prazo do país. Apesar de ter reconhecido que os riscos de desaceleração econômica estão mais pronunciados, ele falou que não prevê RECESSÃO. Mas é aquela coisa: falar até papagaio fala. E tem outra: BERNANKE está no seu papel. Como autoridade do maior BC do mundo, tem mais é que negar que a economia esteja na pior.
... É por isso que há quem se convença de que o FOMC virá mais conservador na sua decisão de política monetária no final do mês, para não dar bandeira das ameaças que o mundo atravessa. "Acho que um corte maior (de 75 pontos no juro) é pedir muito do FED. Seria um sinal de que os EUA já estão em recessão", acredita o economista-sênior para assuntos globais da EXPERIAN, Matthew SHERWOOD, no AE Broadcast AO VIVO.
... Seja como for, os contratos futuros continuam insistindo numa redução dramática da taxa americana. Derrubaram para 24% pela manhã, mas voltaram a elevar para 40% à tarde a probabilidade de queda de 0,75 pp no juro, para 3,5%, numa decisão emergencial pelos próximos dias ou na reunião regular de política monetária dos dias 29 e 30.
... Se vai ser o pacote BUSH que vai acalmar as coisas hoje, não dá para saber ainda. É verdade que, com tudo o que tem caído nestes últimos dias, qualquer horas destas, o mercado de ação em WALL STREET vai acabar encontrando espaço para uma recuperação técnica. Mas ninguém duvida que estes dias ainda serão de volatilidade.
... Se serve de alívio, é mais tranqüila a agenda de indicadores hoje, com a preliminar de janeiro do SENTIMENTO DO CONSUMIDOR, medida pela Universidade de Michigan, que deve cair para 74,5. Sai às 13h, junto com os indicadores antecedentes da economia (dezembro), medidos pela CONFERENCE BOARD, com previsão de queda de 0,1%. Antes, às 11h, tem depoimento do presidente do FED de Richmond, Jeffrey LACKER.
… Na parte da tarde, a liquidez deve cair nos negócios, por conta do fechamento antecipado do mercado de bônus, às 17h, devido ao feriado da próxima segunda-feira (Dia de Martin Luther King Jr.), que manterá todos os negócios fechados em WALL STREET.
AQUI, a inflação é o destaque, às vésperas do COPOM. A segunda prévia do IPC-FIPE abre a agenda (7h), devendo subir de 0,75% a 0,84% (com mediana em 0,79%), segundo levantamento realizado pelo AE Projeções. Na seqüência, às 8h, a FGV solta o IGP-10 de janeiro. Expectativa é que venha num intervalo de 0,90% a 1,26% (mediana em 1,16%).
... Apesar da perspectiva de maiores pressões inflacionárias neste primeiro trimestre, sem falar numa piora do cenário externo e ainda no temor sobre os compromissos fiscais, depois da derrota da CPMF, é consenso no mercado a avaliação de que a SELIC será mantida estável, em 11,25%, na próxima quarta-feira (dia 23). Os jornalistas Célia Froufe e Flavio Leonel (AE) ouviram 62 instituições e a maioria delas prevê que o placar do COPOM será unânime e que o comunicado virá neutro. Alguma possível piora de tom, avaliaram os bancos e corretoras, poderá aparecer só na ATA, no caso de o BC querer começar a preparar o espírito dos investidores para uma retomada da elevação do juro.
... Das 40 instituições que concordaram em projetar uma estimativa para a SELIC no final deste ano, 25 delas previram estabilidade. No restante, a novidade é que já tem gente trabalhando com uma alta em 2008. Uma instituição falou em 11,75%, outra apostou em 12%, uma terceira apontou 12,75% e a mais pessimista delas calculou o juro em 13,50%.
... É o que em boa parte explica a resistência dos JUROS FUTUROS em arriscar maiores oscilações, dadas as dúvidas que ainda cercam a tendência da curva. Enquanto isso, no pior momento do dia, a BOVESPA chegou a devolver nada menos do que dois mil pontos em relação ao fechamento anterior, voltando a testar os 56 mil no intraday, mas fechar um pouco melhor, mas ainda muito mal, sem a segurança do capital estrangeiro, em fuga.
O último apaga a luz
... Parece que a onda de turbulência na bolsa já atingiu também o investidor pessoa física. Assim como aconteceu no início da crise, quando os abalos no exterior afastaram os menos acostumados à instabilidade típica do mercado de ações, o nervosismo que tomou conta do globo está provocando uma onda de saques de fundos de ações. Segundo anotou a jornalista Ana Paula Ragazzi (Empresas e Setores), chamou a atenção a saída dos fundos exclusivos de PETROBRAS, VALE e BB. São justamente aqueles que mais atraíram novos investidores, empolgados com o bom desempenho do mercado até aqui e que contribuíram em grande parte para a valorização dos papéis de peso.
... O investidor estrangeiro também segue batendo em retirada, comprimindo ainda mais os preços das ações. Na terça-feira, foram mais R$ 483,237 milhões que deixaram a bolsa, elevando o saldo negativo a R$ 2,304 bilhões no ano. A julgar pelo comportamento do mercado ontem, não será nenhuma surpresa se esse número ficar ainda maior.
... As ordens de venda fizeram o IBOVESPA despencar de novo e testar novos pisos, com giro forte, de R$ 6,578 bilhões. Fechou em queda de 2,96%, para 57.036 pontos, menor patamar desde setembro. Pela manhã, havia batido a máxima de +1,47%. Mas, no pior momento do dia, perdeu o suporte dos 57 mil pontos, indo a 56.734 pontos, em queda de 3,48%. No mês, a baixa acumulada é de 10,72%, sendo 7,91% da perda só esta semana.
... A big blue PETROBRAS caiu com força, sofrendo por ser uma das principais portas de saída do investidor na hora da crise. O papel PN caiu 5%, com volume financeiro de R$ 1,21 bilhão, enquanto o ON despencou 5,34%, com movimento de R$ 160 milhões.
VALE escapou da maré de baixa e subiu 0,77%, para R$ 45,70. O desempenho foi garantido pela notícia de que o CREDIT SUISSE revisou sua projeção de alta nos preços do minério de ferro em 2008 de 35% para 55%, e dobrou a do próximo ano, para 20%.
... No mercado de JUROS FUTUROS, as taxas não resistiram e acompanharam a piora de humor externo. Mas, em meio à turbulência, o TESOURO aproveitou o apetite que os investidores demonstraram por ativos prefixados para ampliar a oferta de títulos com esse tipo de rentabilidade. Assim, a oferta de NTN-F (papel prefixado que prevê pagamento de cupom semestral ao investidor) no leilão tradicional foi bem maior do que o usual. Do vencimento 2012, vendeu 1 milhão de títulos, enquanto que, do 2017, 500 mil. Na semana passada, haviam sido vendidos apenas 300 mil títulos de cada vencimento.
... Essa oferta tão ampla, em um momento de tanta aversão ao risco, confirma que há mesmo um redirecionamento de parte dos recursos que estavam na bolsa para ativos prefixados. Afinal, os prêmios que esses ativos pagam é muito grande, porque faz tempo que o clima não anda bom para esse mercado. Esse movimento tem feito com que a piora dos contratos futuros dos juros seja mais amena do que nos demais mercados.
... Ontem DI janeiro de 2010 avançou de 12,72% para 12,79%, enquanto o janeiro de 2009 terminou em 11,98%, contra 11,99% no fechamento da véspera.
... O DÓLAR fechou a R$ 1,787, em alta de 0,79%. Com esse resultado, acumula ganho de 3,06% em apenas três dias, passando a uma valorização de 0,68% no ano.
... No mercado da DÍVIDA, o estresse externo também pesou. O Risco Brasil disparou dez pontos, para os 246 pontos-base, com o Global-40 na mínima de 135,15 cents (-0,37%).
Continua em Bom Dia Mercado
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