Que tal se uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos se declarasse praticamente insolvente em uma manhã qualquer de sexta-feira?Imagine que após esse comentário, o maior dos bancos daquele país dissesse em tom cordial "não se preocupe, daremos o dinheiro necessário para o prosseguimento das operações" para, minutos depois, reconsiderar a oferta num tom de "eu disse dinheiro? Estava falando de apoio moral". A saída, no fim, foi uma ligação amiga para o Banco Central, o Federal Reserve.Esse foi o enredo protagonizado ontem entre os bancos Bear Sterns (no papel de insolvente) e JP Morgan (no papel de salvador que não foi).
A explicação de Alan Schwartz, o CEO do Bear Sterns, para o acontecimento foi bastante simples: "Nossa posição de liquidez se deteriorou consideravelmente nas últimas 24 horas".É fácil entender como a situação chega a esse ponto. Considere que esse banco carrega o triplo do capital que possui em caixa em ativos de baixa liquidez e cujo valor é qualquer coisa além da incerteza. O Bear Sterns não fugiu a essa regra: US$ 11 bilhões em caixa e teóricos US$ 28 bilhões em títulos que ninguém sabe quanto valem.Os diretores do banco atingido deveriam estar preocupados com a situação. Talvez soubessem antes do público da situação crítica em que se encontrava o Bear Sterns. Assim sendo, como manda a prudência,
venderam cerca de US$ 50 milhões em ações no fim do ano passado, a um preço próximo de 89 dólares, muito acima dos 30 dólares do fechamento de sexta:.
Mencionei
em dezembro passado a situação dramática que viveu o Citigroup para conseguir capital, pagando taxas muito acima da média do mercado. Porém, ainda há muitos bancos em situação semelhante, tantos que nos permitem até descontrair um pouco e tentar adivinhar qual deles irá à lona primeiro.
Cinco Pesos de Dois Quilos
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